4 de janeiro de 2013


O providencial sentir na terra do estar atónito
Faz as partes a liquefazer os sóis em cada música.
E a manhã do caos aos saltos apetecidos
Caminha aponte ao absurdo o outro da evidência.

20 de dezembro de 2012


Jorra o musical fascínio
ao extremar de cada instante,
e então toca de convocar a roda
ao sabor de um som vermelho.

Como o ficar do meio a contorno efeito que faz no esquecido papel um estilizado além do canto local, original.

O solo, pesaroso,
termina o ocular da ideia
em gota de espuma
aos tristes instantes da terra.

A “antologia” da respiração antecede a fábula como fora a pré-disposição do tempo animal, faz, insinuante, o cintilantemente esboço dali nomeado.

26 de outubro de 2012


Entanto uma tal voz,
embaraçada em estado desenlaça,
numa rota ou dois a um fim,
o assentar racional da razão,
animada das velhas artes da matéria,
(que o valha),
segue a pulso uma escolha,
de imposição imagética,
que desperta o dizer do estupor,
ao pensamento dos tectos,
e num belo eco do lugar,
(entretanto dizia),
a notação do sucesso gestual,
no suposto ponto aplicado,
ao rasgo insolente do caos,
que por defeito acto, guarda,
(entre o odor da terra
e a disposição plástica),
o próprio efeito da razão
como se objectivasse o sentir
do caminho, vago e desvanecido.

A água
Da vária ondulação
Em curva
De esbatido reflexo
Faz nocturna a qualidade da prata.

(Ocorrem clarões ao longe
Entre a bruma e as bermas à deriva,
E do rio soa a cantiga da noite
Que dura toda uma vida).

25 de outubro de 2012


Como numa atenção siderada,
tirado ao trago doutra dimensão,
e na fenda do aberto tempo,
a fuga musical,
numa certa lateralidade,
em diria duma demanda perfeita,
faz o delírio que comanda,
o pensar que porquanto diz-se,
que a saber não é,
e traz-se assim por dizer guardado,
em qual nada que quer,
nas páginas do que porém via,
os sítios autênticos,
do descalabro do muito bem agora,
que em diante lhe será de proveito,
num condutor fio de nada,
em que porém,
(mas mais que porém é o desperdício),
o embalo disto infante se concede,
um excesso (que se estranha),
da suma que visa o assegurar dos socalcos.

Um mar genovês.
De prateadas mercês.

O acto “diztracto”,
na busca de um cambial,
em ligeira hesitação,
(foral, verbal),
infere o que daí surge,
um critério a ver o mundo.

O representado proceder de um certo alternado tipo assombra os minutos do silêncio como fora um enriquecido recurso, o qual diz, num registo baixo, o distante acontecer, porém possível, do agregado lugar que oscila entre a coloração magenta e o som do violino dos dedos saído da inversão funcional, que segue, na direcção do corpo assim adquirido, em variação do valor que agrega e gera a fractura e que é o ponto de partida da irradiação “essencial” da alteração proposta.

Torna e contorna o langor do momento a sonda num ar circunspecto, jogam-se os termos da revolta num sinal atento à grafia, o saque, a preceito e em discurso inverso, segue, cadenciado, directo ao vale da partilha feito em volátil forma indutiva da manifestação dos relevados factos do valor numa vista ao lacerar da carne em plenário, lamento as vísceras, a contagem, a destilação, os adquiridos, os dados da cicatriz em mandamento como um outro mesmo em transição linguística da operação contida, o cerrar das sombras esclarecidas, e a lama, enleada em gráfico de uma certa depuração, é o transporte de uma marcação como fora um elevado e “complexo” rendilhado.

24 de outubro de 2012


O mais ou menos não faz o mais ou menos efeito até que surja o raio de um fio de sonho.

Num colorir alucinante,
do filão de uma nova maneira,
e no olhar uníssono,
em sangue, da boca vermelha.

Tocado enfim no corpo,
o segredo do contra três,
eis que surge um quarto
em falta, sublimado
na face em terra passional,
(o que não é o caso),
do corpo dois que passa.

Situação de um alinhado apontamento que ajusta o silêncio em silêncio.

E o corpo, fora desta frase, esquiva-se a um outro em toque de invisível sujeito,
e o pensamento, sítio dessa tal acção, fica palavra no apenas nó que dali corre em contracção vestido, memorizado, ausente.

Algum significado indistinto ao notar as palavras nos sinais a distinguir daqui, a escolha desse instante que colora o efeito composto como um espelho despedaçado que se lê, mil vezes.

A combinação vem depois.

O olhar figura cataclismos, cambiantes sonoros, réplicas, o horizonte apenas.

E ocorre o invernal sono dos mundos num essencial engano, numa representação, ou espécie de ser, não sei, o que fica, porém, é contradito que avança, dilui, um entrecortado composto de aparências que encadeia as superficiais palavras em fragmentos do compromisso.

23 de outubro de 2012


No tempo das calendas metafísicas, das questões da plantação.
Das ontológicas primaveris ao virar de Saturno.
Prosseguiram as ilhas (onde não demora) o após Calipso em abertura.
Pois não existe, efectivamente, um ponto de apoio, e ponto.

Nada como o levantar das labiais comissuras em consciência tranquila, quando não se pensa, essa expressão, faz do outro um semelhante a algo transparecido do corpo assim distendido, um sensual manifesto, sim, fora da notação, porque não.

A irrupção de um arremedo longo, que voga neste instante em vertigem veloz, insiste um ponto de apoio, que nunca chega.

(poderia evitar todas as edificações, até o ruído que paira, e isto não é uma ideia que se olhe, fora, em algo que perturbe o olhar, dentro)

E um gesto que pára, que talvez não seja assim, mas apenas sucessão de ideias, nunca se poderá chamar ideia, sim, esse gesto não é ideia.

E o dizer dessa impressão repentina é o desenho do olhar (a)dentro a toda a abertura do gesto, mas, e apenas, até que a palavra possa.

E esta chega no instante em que deixa de pensar, agarra desse gesto, a ideia, que preenche o vazio, em linha apelidada frase.

Palavra.

Os ritos da tortura.
A imagem do lugar.

No espaço da posição guardo (me) o soletrar das tiaras do papel alado.

(Traço fundamental das naturais cantigas).

E as imagens flutuam o favor do mar por passagens entre a face lunar que fica ideia numa apoteose do lânguido rubor falado dos sítios esquecidos.

22 de outubro de 2012


O lapso é o retomar da encenação,
gerado nos tempos da dança
(sempre o mesmo jogo da máscara)
e da justificada tragédia da existência vazia
(infalível máquina do defeito humano)
que plasma por inteiro a resposta do mesmo
como fora a tentação do corte
ou a transposição do rasgo em reacção matriz.

Além da vontade.
Toda a cor um dia.

21 de outubro de 2012


Aberto ao azul do mar em guerra, dos lagos imaginários, uma casa ausente transforma a manhã logo que a forma regressa e morre ao fazer de um acto que bate em contra fundo.

Tomara de longe o iniciar.
Na parte perdida de horizonte.
Que de volta a um instante.
Esquece o imediato sentido.

O impresso olhar levado no próprio do momento produz um reflexo absoluto que, por ter ficado tão perto, um outro dia gritou que parara.

Como fora a modulada memória descida ao sítio da parte perdida.

E assim tirado o mundo ao representar do sopro, um aspirado diluir da fala esvanece, (a um nada dizer), o canto da tonalidade esfíngica.

Dito como deve ser? Como dizê-lo aqui?

Depois, lançado por fim na decisão do sentimento completo, o dizer que se escapa,lança um toque etéreo como o excedente dele que se investe, melancólico.

E ao cair do dia presente a imensa e amarga ironia de um apenas silenciado.

20 de outubro de 2012


Bom, a bem dizer supõe,
qual aceso, ou qual sinal,
ou num qual acesso,
vertiginoso ao ponto vazio,
que sussurra o colorir,
do permanecer corporal,
em proporção preenchida,
nos lagos da crua certeza.

Um lugar aberto no tempo.
Aproxima feito sopro eventual.
O silenciar das mil participativas.
E faz desatenta a locução simultânea.
Que em acto de produção ideal.
Faz a demonstração do mais forte.

Ou, dito de outra forma, a “glória do sintagma” na cor do suspeito assunto.

À vista das nações sentia o peso encher o dia
E no instante assim representado
O inverso corria os caminhos conclusos.

(Ali chegado ficou pois parecia certeza o que sem saber se refazia, e no mesmo acto).

E o relançar da desferida palavra.
Na fachada do âmbar em fortuita apoteose.
(Outrora argênteo tempo do dilúvio).
Faz do percurso uma tal nomeada figura.

Doutros dias porém.

(Mas como todo o processo é recorrente sinto uma insuflação profunda que argumenta outra vez).

O caótico atingir do estado da representação dinâmica.
(Redundante, inclusiva, e, portanto, inversamente redundante).
Do oclusivo refrão do sinal bate às portas estupefactas.

É mais que insubmissão, é paixão, irredutível lugar elementar.

17 de outubro de 2012


Eras de fundo a conquista iludida em satisfação dos agrupamentos moleculares.

Aquela determinação animal.
As frondosas imagens do logro.
As boas novas e a síncope.

A sinopse de todos os elementos é como a apresentação do mais simples. Fala do encobrimento. O discernir, trabalho de uma justificada violência na raiz da situação, é, numa palavra: a secreta celebração do sacrifício, alheio, claro.


O olhar que mascara o mundo em corpo de mar é espuma de palavras. E o estar aqui é o que seja.

Tomaria todas as decisões de uma forma pelo menos leviana. Patologicamente existente. É. No fundo trata-se apenas de uma escolha de sorte à maneira dos clássicos da diversidade.

Que importariam então as reflexões do acto na ressaca do mesmo? A imagem dos instantes vívidos, a torrente, os éditos da função do regresso.

Pois se existe coisa de que me lembro é do estômago, órgão metafórico da escolha, que nem sequer é tocado, e nunca o será, neste plano a que se chama ser, ou palavreado.

16 de outubro de 2012


O verbo é morrer da promessa, que de novo é morrer.
Passam olhos de gárgula, contornam-se num recreio adiado, aleatório.

A posteridade do plástico.
Infinitamente recoberta de uma história viscosa.
É feita de moléculas a correr aos sete pés das pegadas gigantes.

Oxalá fique, oxalá não fique.

Não obceca a memória.
Sempre faz mover, ou estar parado em movimento.

Trajo de trapo e uma aparição visionada.

A circunscrição do plano do papel faz o vento solo nas bestas do adquirir, e o nome, com todo o respeito, é, a cada passada, o desejo da fala em silêncio que qual grafonola baixa a custo uma aparência.

Desilude, que fazer.

Quais fogos do vazio repito nas estrelas em colapso.
Os cantos das outras cantorias do semblante fechado.

E numa abertura do classificado oposto pensamento em sonolento bocejo, a recta escalada impõe, na designada comissura, o óbvio local do angariado de (por) si.

Que logo começa de novo.

13 de outubro de 2012


As grinaldas do convénio da nomenclatura guardam silêncios por via duma razão amorosa, aos gritos de sorte, em cadência, ficam, solenes, nas grutas que gravitam os corpos em paralaxe.

Uma razão de privacidade.

E como a flor da cereja ou o pardal largado em cima das casas da celebração, das comendas, a cidade salva, ao troar da manhã falecida, os nomes da selva, e os silêncios todos.

As casas do amor.
Os filamentos da montanha.

A semente em salvaguarda da palavra ferida de requinte nos átomos da miséria.

Revelado em estranha disfunção da linguagem, o círculo original exausta o riso à entrada das etapas como rebento em lugar da viva santificação do metal afeito à circunstância utilitária da distribuição e do registo. Éditos da necessária imagem.

Vamos dizendo em surdina as palavras como numa dança das cadeiras.

De lado a lado.

O dia pulsa em redor (dessas palavras) o secreto intervalo donde a origem espreita o sincopar carregado da cisão esventrada em monumentos carrascos da assim sombra lavrada.

Fins da terra dor.