24 de setembro de 2018


passeio de sugestão
e o acaso em medida se quer
e se sente
ou por exemplo entre si
numa linha e outras compostas daquelas
formas casuais das pálpebras
que ficam escritas na diagonal inclinação
daquela passagem
entre o ritual das mãos e o hábito
das coisas invisível reflexo
de um certo e qual movimento musical
que respira ao instante

22 de setembro de 2018


de costume igual
na palavra de cada dia
um passo imóvel
em véu de comédia
como que fenece entretanto

21 de setembro de 2018


passa de tarde
um qual reflexo
dessas mesmas
nocturnas chuvas
ao longe chegam
numa cinza cor
de perto caída
no salto sentido
das tantas palavras
por dizer ficam

20 de setembro de 2018


um outro dia
de prosaica leveza e amenas
palavras de terra
ausenta-se em quartos de luz
o cerebral dos jardins
não tanto assim
imaginados do lado nascente
mas entre a noite e a manhã

19 de setembro de 2018


e a reminiscência de tarde
percorre entretanto os compassados
processos do lugar
em simultâneo daquilo que passa
enquanto aparente
e no entanto permanece o mesmo

18 de setembro de 2018


e desce em gesto ideal
da sombra
e por meio de alguns sincopados
golpes cinzela
aquela memória animal da primeira nuvem
num movimento
que por vezes se esquece

17 de setembro de 2018


e particularmente dali
se fazem aquelas notas que perduram
em algumas linhas
das palavras enquanto quais
de seu nome aqui
o voluptuosos motivo nos figura
colorir de um outro
e deriva
mas como que rarefeito e contínuo
por assim dizer

15 de setembro de 2018


uma certa palavra
em apoteose destacada
arvora de satisfação
o edificado no cimento
daquela disposição
mais própria do sentido plástico
que desvela num estado de passagem
a vaga forma
de um laborioso aspecto

14 de setembro de 2018


da base da pedra
em vigília do semelhante caminho
clama de perto
o enlace agora exausto
repousa respiração nas fontes
da linguagem satisfeito
valor de uma terra imaginada

13 de setembro de 2018


uma insinuada linha
em crescendo de contraversamento
não por princípio
natural ao longe aparece
por sobre os edifícios do lugar comum
qual névoa nunca vista
fronteira mas não de imediato

12 de setembro de 2018


e desliza em transparência
como se não houvera
de cada dentro assim percorrido
um olhar que acaso desvanece

11 de setembro de 2018


e alguns restos de sentido
ficam na parede
estranhamente espelhados
numa pergunta por fim

10 de setembro de 2018


escorre da palavra
uma qual espuma de evidente
falta em volta
clama mas no entanto passa

8 de setembro de 2018


a palavra de atenção
coloca em maior evidência
o duplamente tecido
do perdido gesto
mas apenas um instante

7 de setembro de 2018


(?) e acaso seu pensa
que por meio de alguma
coisa ficaria das palavras
o desabitado murmúrio
de uma térrea cadência
mas sombreada porém

6 de setembro de 2018


de seu uso a
depurada palavra
pulsa outro sentido
sonoro apelo este
uma sinuosa linha
distende a grafia
quando se esquece

5 de setembro de 2018


algo entre dois
permanece imagem
nas palavras

4 de setembro de 2018


algumas considerações (qualitativas) de uma mente interior

pelo menos pensou
mas não porque não fosse nada
antes porque não poderia deixar de pensar alguma coisa
como se disse
pois caso contrário
não faria ideia na sua mente interior
como peixe na água com coisas
e não pensaria qualquer presença de fora de noite
ou de dia de perto defronte
e isso era certo e evidentemente

3 de setembro de 2018


Estação de noite uma imagem mítica

Um tambor com sentido dos intervalos
por norma faz toda a diferença
pois desvela da leitura dos momentos
uma certa impressão de linguagem
que plasticamente ainda a tempo da palavra
imanifesta as tensões de uma outra presença
esta porém omissa e pragmática

duvida de qualquer
e desse qualquer
decorre outra coisa
da qual divagar
sem sentido sem nexo
chega a mover-se
ao som sentido
da palavra do costume
no entanto
menos credível
de toda a vontade
e não menos
do que a vontade possível

e esta imagética da posição da palavra é como que a prova cabal do inverso das utopias da forma ou da melopeia da chamada de atenção numa natureza súbita por assim dizer

1 de setembro de 2018


Da respiração da imagem silenciosamente

O sedimentado caos
em providencial valor de aceitação da palavra
vigília da distância
o sentido facial da vivência
e chega numa frase feita
ao frente a frente da parte escondida.

E então outro acontece
compasso interior da espuma
primordial num verso
e plasme-se (!)
da simetria noção das partidas
e das chegadas de si
qual colossal da memória
mas do outro lado
sulca ao de leve na terra
e acaba por tocar
o predisposto meio da palavra
escolhida por assim dizer.

30 de agosto de 2018


Algo se configura dos silábicos ritmos num precipitado e jovial das artes festivas ou minuciosamente e mais convencional do exercício das nocturnas que é qual receptáculo das imprecisas ou seja do acto propriamente dito

em que ele
argumento da presença
num cenário de tu
limite do discurso dele
avança por entre a multidão das memórias perdidas
até que dele a ideia chega
no distanciado respirar de um eu escandalosamente
causa de estar num outro
e diz que regurgitou na excepção dessa terceira pessoa
entretanto ausentada
aquela parte a minha e a tua em narrativas
de valor e lamenta de seguida por meio de algumas metáforas
do lugar nos celebrados ossos
uma certa e determinada sensação de epiderme
em função vital da ligeira palavra
ou seja forma de pensar
o qualitativo solo da percepção
num ponto de vista
lateral o que bem vistas as coisas é usual
nas artérias comunicantes
e mergulha directamente no silêncio dos sóis contemplativos
primeiro e do natural madrugar dos dedos
depois imbuído do caloroso
vislumbre que clama de combustão naquela densa posição
de ser forma singular no suposto corpo
e desse mesmo suposto segue ao canto das veias
feito miraculoso espelho
onde por norma o silêncio é melhor
e o ribombar só de si causa uma certa imprecisão
no equilíbrio mas apenas durante cerca de trinta minutos
de vendaval caído aquele em silêncio
da sucessiva chamada ao ventre dessa palavra

29 de agosto de 2018


Do face a face em caractere

Uma outra maneira
de não estar muitas e muitas
mais linhas traçadas em aparente acaso
da aparição
da contemporânea palavra
um não sei quê das orquídeas
algumas oitavas acima de consciência animal
e subterrânea
toma-se desses mesmos
fragmentos de espanto nas cadências
de uma voz altercada
e de lado e de fora se faz dentro e silenciosa

28 de agosto de 2018


linha acidental da palavra
agora chama musical adormece os sentidos no afectivo suceder daquilo que se queria
significaria
da alegoria
o breve encanto dos perfumes raros
e o da flor esvaida
no mesmo
de tanto tempo
no tempo
acaba por ficar
ao pensamento seguinte
que é melhor
que é elementar
e ecoa tautológico
como que num sussurro
de quem ora baixinho
em silêncio
a silábica compulsão das palavras elevadas
à profundíssima altura
do indizível
das auroras das romãs
do trigo e do azeite
do pão de cada dia
do vinho da reunião
da rosa e dos seus espinhos
da correspondente gota de um sangue vivificador
e metaforicamente corpúsculo
de barro
de manhã
do fundo
do raciocínio
chega circunstanciado na estação dos tecidos

27 de agosto de 2018


ao sair do lugar
desliza ao centro da posição
da sua mais ínfima carne
e dá que pensar
numa aparente facilidade

25 de agosto de 2018


não se pensava o que é próprio das ideias

casa silenciosa
o abissal da carne
a passo de modo
cortês
sabor de qualidade insisto
serpenteava
parecer-me-ia
por entre os corpos
ao redor
em volta
da noite
quando da sombra
de repente
supra o impassível
e encontra
nesse local
o coração do vazio
e aí permanece

24 de agosto de 2018


nunca é tarde
e na pele uma cheiro
rodopia de musicalidade
e enlace na voz
as mundanas imagens
daquelas demais ternuras

véu entre muitos
no chão da palavra escrita
estendido
traça o tempo
por meio do tempo inxistente

como dizer assim
daquilo ao primeiro instante
segue adiante
num sincopado silabar
linha fica
que escapa ao fundo da parede

do natural das partes mas em contratempo

em volta dos tecidos
um segundo deixa ficar
a tensão muscular
de seu fim significado
mas ainda distante da forma

23 de agosto de 2018


esotérica das ideias depois desenhadas ao fundo dos ossos num instante desaparecem