20 de março de 2019


sucedido ao limiar
de uma clareira em claridade
uma presença de perto
escala em torvelinho nascente
o mesmo hesitante azul
que na língua de cada gesto
em volta pausa a canção
da manhã num outro lugar

19 de março de 2019


ferido de atenção
o peso das formas
de um qual desejo
se vai crescendo
em grito tecido
nas silenciosas figuras
que aí se chegam

18 de março de 2019


num vago de leve aroma
e a ligeira brisa
em musicalidade largada
de nascença respira
a cada nota
o que se faz sentido

16 de março de 2019


sucedido de perto
e uma outra maneira
como que recorda
das coisas o semblante
oscilante e casual
do peso que prazer
uma vez cintura
que por ali passava

15 de março de 2019


o demorado momento
onde o odor começa das simples
coisas a cada carne
um corpo recorda persiste
a traço de esquecer
e cada segundo que preenche
o horizonte a distância
o segredo o grito
uma noite em silêncio a voz

14 de março de 2019


consolado de engano
um momento se faz regresso
próprio da condição
qual atravessa o sentimento
das cinzas sentidas
como se chegasse a cada um

13 de março de 2019


chama espaço
o apelo de uma atenção
imediatamente
em tempo duplo sentido
afecto a um ponto de vista

12 de março de 2019


humidamente
a bruma em vapor
das vozes
matinais atravessa
o sentido
de um sentido
ao entardecer
fica em cinza
de uma luz distante

estar na palavra
em respiração de perto
o lento caminho
passo a pulsar
e qual crescendo
e que se vai tornando

11 de março de 2019


sente que acredita
no tempo das coisas
uma voz tranquila
de qual sentido sabor
um gesto em palavra
uma noite a quem
distinguira o silêncio

9 de março de 2019


toda a verdade
que deve ser verdade
como que regressa
de um outro
lugar considerado
de um certo processo
na particular medida
de um pensamento
que divaga e preserva
ao fundo da carne
a meia-palavra em silêncio
do reconhecido
sentido ao tempo
em que fica escrito

8 de março de 2019


a distância, essa
não cessa de aumentar
e traz o acontecer
de uma certa claridade
que nos dissipa a mistura
e chama o sentido
a mais em silêncio
para que de perto então
nos comecemos a dizer

7 de março de 2019


o fazer-se lento
fazer das partículas
soltas chega
num qual murmúrio
que de perto toca

6 de março de 2019


esotérica da expressão: a linguagem enquanto instrumento imperfeito (de comunicação) que o é presta-se a uma certa expressão enganosa do conteúdo dessa mesma linguagem e a consciência desse facto é talvez o primeiro e mais importante passo para a sua devida utilização nos dois sentidos obviamente e é portanto neste sentido que se costuma dizer que as palavras não podem enganar - pois como poderiam?

4 de março de 2019


ao longe o esmorecer
de uma apagada presença
em festa circula
qualquer coisa que chama
a inacabada voz
e persiste incolor
da passagem de uma seda
por exemplo

2 de março de 2019


esotérica do critério: no devido lugar de uma experiência e ao auge do devidamente instante não se localiza antes que dali para fora se chama e imprime como a marca de uma 'perfeição' futura (digamos assim) e isto é importante reter a saber que essa assim chamada 'perfeição' nunca está 'completa' digamos sem um certo 'movimento de fuga' que aliás diga-se como que inicia todo esse mesmo processo e o seu sopro e ideia por assim dizer

1 de março de 2019


o dizer do tempo
reflexo de serpentina cinzenta
por meio de uma qualquer
labial temperatura
mascara o movimento
de um certo fundo em escórias apartadas

28 de fevereiro de 2019


e as imagens a um tempo
azul sinal de uma forma sonora
e branco ameno de textura
tingida o agita só nas palavras

27 de fevereiro de 2019


diz que dizer
em claridade um rubor
aceso se levanta
o silêncio sentiria
e o lugar acrescenta
uma forma ao passar por entre
os corpos de longe
exclamados se escapam
orlado véu
de uma terra presença
e a cada detalhe
um degrau do outro

26 de fevereiro de 2019


o primeiro momento é fundador
que o segundo inversamente justifica

pois tem de ser
assim que sempre assim
foi num terceiro momento
a que chamamos a sombra
envergonhada divide
o momento num mesmo
encadeado nó de mistério

25 de fevereiro de 2019


e à medida que mais profundamente
vamos penetrando na floresta e o olhar
se vai acostumando na penumbra
aí vamos reconhecendo as árvores
e os seus mais isolados
recantos abrem-se qual súbita
clareira depois do denso arvoredo
onde ao som dos açoitados ramos
pelo vento uma velha coruja chirria

23 de fevereiro de 2019


O paradigma da revelação é como que um certo ideal do acto arbitrário que lança por meio de um qualquer ontológico véu o dissimulado e pretenso motivo que assim justifica em fundamento e simultâneamente

de sugerido um outro valor
lhe convinha que assim possuído
como que de uma salvação discreta
assegurasse em tranquilo momento
uma certa condição do dever cumprido
que erigido ao interior na palavra
gesto defronte a um encantado rosto
acertasse em certa medida o contraponto
em limite ao desregrado sentido

22 de fevereiro de 2019


acompanhadas de presença
estendem-se as palavras
silenciosamente despertam
no corpo o sentido
que atravessa de impressão
o devolvido reflexo
em fluido rumor
daquelas imagens distantes

21 de fevereiro de 2019


anterior que passa
num sopro e suspende
a imagem que encontra
aquilo que percorre
em sugestão sonora
uma certa cor atrasada
que esvai-se de entrar
e agora fica em presença

20 de fevereiro de 2019


irrompe em fluir
que atravessa
como que posto
numa coincidência
que refere
em imediata legitimação
por assim dizer

19 de fevereiro de 2019


o despertar
de atenção como que faz
aparecer uma linha
lugar que se põe
numa diversa ideia

18 de fevereiro de 2019


da ciência do contraste
ou a esotérica da expressão da linguagem
por assim dizer

A linguagem humana tem esta característica interessante de uma vez tomada a um ponto de vista intencional funcionar como espécie de um certo critério de verdade mas pela negativa pois há uma diferença entre a expressão (desinteressada por assim dizer) de um fenómeno tal qual se nos apresenta e o tomar dessa mesma expressão como se de uma realidade se tratasse e isto também no que diz respeito ao próprio fenómeno diga-se pois o reconhecer de um tempo enquanto tal medida interior é condição necessária da reflexão linguística digamos assim.

16 de fevereiro de 2019


alterado estar
de um sorriso quente
que se faz
na palavra de cada
perto cerrado
que na vida desvanece

15 de fevereiro de 2019


o dizer das palavras
o mesmo dizer das palavras
num movimento recebe
como que ligado a uma certa
conformidade das coisas
a plástica passagem
daquela circunstância
que se apresenta
em silêncio e depois
irrompe um qualquer sentido
mais próximo da matéria
agora naquela certeza
pela qual podemos começar