1 de fevereiro de 2019


uma impressão de ruído

qualquer construção
assinala o evidente facto
da reflexão do sentido
e das maneiras de lhe aceder
num detalhado outro

31 de janeiro de 2019


de tudo se sente
um certo considerar da carne
que em silêncio perfila
o perfeito pulsar
daquele sangue que corre

30 de janeiro de 2019


a plasticidade de uma linha
a tempo tirada como qual após do tempo
em progressivas cadências
escoa ao primeiro
rumor seu da manhã nos territórios
da mesma condição plástica

29 de janeiro de 2019


povoada de recordação
espera a profunda memória
recente momento de espanto
idealmente reconhecido
no hipocampo da fanfarra

28 de janeiro de 2019


lateralizado por impulso
um afazer existe em equilíbrio
ao coincidente limiar
do território que culmina
em esquecimento e preenche
uma qualquer pretensão de abertura

26 de janeiro de 2019


chega todos
consigo a particular
decadência
de cada parte
em pedaços de sombra

25 de janeiro de 2019


a plasticidade
ao correr das partes
num fluido calor
descortina simplesmente
isso que nos faz
deste a um outro
que percorrido seja

24 de janeiro de 2019


espelhado em silêncio
como que confuso de qualquer coisa
o repente
sentido mesmo contém
do próprio acto
o que se faz e se torna

23 de janeiro de 2019


portanto o afazer
que move aquelas palavras
sem qualquer importância
diga-se depois silêncio
como que olhar fica
suspenso numa atenção
que em matéria plástica
o transforma digamos assim

22 de janeiro de 2019


enquanto se não cortar
de si soma mais longe a verdade
não dessa imagem
que nos faz sentir a mais
no seu lugar se faz
para fora do lugar
e no seu lugar
que no entanto aí se fica

21 de janeiro de 2019


ser, é como que estar agora
a pensar de uma certa maneira
que está, para logo depois,
mas que afinal se vai passando

19 de janeiro de 2019


das notadas palavras
a musicalidade de uma certa subtileza
silábica transforma o habitual
sentido retira numa impressão estranha
que continua conforme a ilusão
ao aproximar da terceira pessoa
neste sentido em que deslizas
e o que diremos nós que o sentido deslizamos

18 de janeiro de 2019


pensamento das partes

os pés e as mãos
separados na cabeça
em palpitante estômago
urgente se faz pedra
no peito e o coração
são palavras de um
pensamento que diz perto

17 de janeiro de 2019


cumpre adiantar que não será por demais
do eventual vislumbre o tempo assim considerado
para que daí se possam retirar as devidas conclusões
quanto mais não seja por razões metodológicas
pois segundo a mesma lei das preponderâncias
do mais acima e do mais abaixo partira
segundo se conta uma certa regularidade dos intervalos
das partículas conclusivas estas da relação
que por decerto varia mas por esse meio vai ficando

16 de janeiro de 2019


desperto minuciosamente
ao represado das multicolores
reminiscências de qual
modestamente calor
se sombra afinal desvelado

15 de janeiro de 2019


uma ideia de todos
que diz-se que ninguém sabe
pois todos sabemos
que dentro de cada um
cada um vale por si
desconsolado das canções
a amargar o peso que lhe cabe

14 de janeiro de 2019


detalhado de consideração
convém que em consciência
chegue aquele solarengo pensamento
das verdades que se dizem
do alto nas esquecidas palavras

12 de janeiro de 2019


pensamento
do qual nas palavras
rastos em redor
pairam de apetite apenas
para deixar vincado
um afazer que aparece
nos olhos que o diziam

11 de janeiro de 2019


detalhadamente a perder-se de prazer
na sua mente em expectativa de preliminar
desvela algo de outro em contraponto
que se cansa nos bordados da circunstância

10 de janeiro de 2019


o aparecer de uma interior
janela permanece apenas o tempo
suficiente para que de perto
seja em sua condição reconhecido

9 de janeiro de 2019


afim de uma cor
pretenso se assemelha
ao inverso lugar
das estrelas
dos ditos estrelados

8 de janeiro de 2019


o que de mais
marcado de fantasia
no corpo reproduz
o necessário semblante
de nada o tem
numa aparência decerto

7 de janeiro de 2019


aconteceu primeiro
da canção que uma noite acima
se fazia e agora
abaixo não se quer bem
e assim se faz
no entanto uma vez
mas à vista de todos

5 de janeiro de 2019


como poucos

suspendia de bom gosto
o conduzido das palavras
às mais altas expectativas
da consolidada promessa
que os variáveis lentamente

4 de janeiro de 2019


significa acreditar
paradoxalmente um afastamento
que aproxima e afasta
num reflexo
o verdadeiro momento

3 de janeiro de 2019


desperto pois ao pensar
de um pensamento cansado
de tanta beleza chegava
como que desconhecido
mas esteticamente exausto

2 de janeiro de 2019


em co-moção

o chegar do ponto artesanal
solta em acto uma qualquer outra coisa
que pode em progressão da palavra
estender numa certa beleza
a figura que o recebe e afinal respira

29 de dezembro de 2018


um dizer de fundo
que em superfície pertence
a uma certa insinuação
das coisas leves
contra faz o que dissera
em que se diz
e introduz como que contente

28 de dezembro de 2018


dizia que o que o faz
não será só seu mas mantém-se
como que disseminado
numa fruta a falar do tempo
que afinal acompanha
de um calafrio o quê se pudesse assim
metaforizar devagarinho
pertenceria marca
depressa ao que se quer dizer
pois chama demasiado
mas passa depois numa sensação
de contente aqui fruta
que ressoa no ar em fundo de calor

27 de dezembro de 2018


de noite acima sentido
supunha uma figura
em calorosa sucessão
que qual diluída fronteira
de pedra cor
por ter mais sugeria
que de dentro partia
e desfeita ao que nos liga
será no seu lugar
a correspondente vibração
daquilo que
numa sombra cega se recebe

26 de dezembro de 2018


entrecruzados no peito
flutuavam dedos inscritos
sem rasto nas imagens
e como que numa expressão
de devaneio os demos
à vista de todos
largados por respirar
naquela parte que nos liga
a um outro adormecido
desperto de nada sentir
no mundo que não seja
o respirar que se sente

22 de dezembro de 2018


por agora posto
o que em cor se cai
não chega
ao ser que se sente
mas mais ou menos ressoa
duplamente sonoro
e reveste-se
como que suspenso
e assim baixa em condição
nessa mesma terra

21 de dezembro de 2018


do qual destino
em miseração de cuidado
sempre se levanta
o altíssimo tingir de um rubor
vermelho
que qual lembrança
do ir mais além
de nota de cada gesto
aquilo que de certo se concebe

20 de dezembro de 2018


esqueceu-me o pensamento
em termos de presente
como se encadeasse
a chamada da caligrafia
nas desapossadas sílabas
que entusiasmadas o diziam

19 de dezembro de 2018


recolhido à satisfação
de uma aparência
o de terminado gesto passava
ao de leve
como se algo de condimentado
nos tocasse
em expectativa de valor
e assim dissesse que
mostrar-se-ia acompanhado de presença

18 de dezembro de 2018


falta de sentido
a circunstância do gesto
que sente-se
no pão
em movimento
de uma singular narrativa

17 de dezembro de 2018


avista-se
do alto da ladeira
(n)uma cor sombria ao longe
na estrada os dias e os tambores
em silêncio agitados
recortam no tempo a morte
que nos leva
em sibilante missiva

15 de dezembro de 2018


Esotérica da familiarização do objecto: o processo de familiarização do objecto não é mais do que o sedimentado 'hábito' ancestral de sacrifício do outro que, qual necessária e justaposta alienação (do) 'universal' no objecto, (co) infirma, estatui, especifica-se numa particularizada 'qualidade' exclusiva, no 'totem.

14 de dezembro de 2018


ambientes fechados
de memoráveis escarpas sombrias
agora agora o ocorre
e como que preenchido
de luz
em presença
coloca defronte ao contorno
da carne
uma solução de equivalência
e olhar dali parte
e o se partir do instante
a voz aproxima
em acerto de estar a terra

13 de dezembro de 2018


a cada recomeço
abre-se
dobra-se
de surpresa já não vê
e num momento
surge de perto
como que metonímico

12 de dezembro de 2018


Esotérica social do número: a verdade em partes de (um) todo e a (sua) consequente replicação no mesmo, isto sim, qual intraduzível construção nominal, familiarização do objecto, é uma visão social do número.

11 de dezembro de 2018


diz-se do peso
que diversamente não passa
marcado da sucessão
e como que chega numa sede
dessa qual experiência
os seus reflectidos momentos
cai no dia a dia
qual flamejante cometa
e quando tudo acabar
começaria uma nova era de grito
que subia num arpejo
animal a que chegaste
como que tremendo de curiosidade

10 de dezembro de 2018


Esotérica do nome: o nome (primeira lição dos antigos egípcios) é (qual marca de uma adjectivada substância que se cobre enquanto tal) propriedade. Este facto, patenteado no livro dos mesmos, e só por si, reservou, desde esses tempos, um futuro auspicioso ao pronome possessivo.

7 de dezembro de 2018


Esotérica da ilusão: o ciclo da ilusão é constituído por outros tantos inconfessáveis que detalhados numa certa invisibilidade agente torna e retorna mas nem supõe antes desconcerta num invariavelmente que vem a preencher o lugar de (em) inominável comoção.

6 de dezembro de 2018


o parecer
da distância consente
numa qualquer ausência da palavra
ganha ao saber vulgar
por assim dizer
um não se lembra
nem disso faz questão
porventura se assimilasse
a esse mesmo parecer
de cada imagem vertigem
consigo traria como que um
odor a ramificação
marcado
e a cada nova distância
desse olhar se marca
no bem contado
de cada alinhada palavra

5 de dezembro de 2018


O isso que sim
no turvo dos trabalhos
como que identifica
a manifestação dos espelhos
numa espécie
de hesitante correlato
mas que acaba por perder
na posição do combate

4 de dezembro de 2018


na dobra do anunciado prazer
sombrio esvanece a toda uma outra distância
o recomeçar do rumor levantado cedo
que industria em cada silente momento aquela atenção
a isso que se diz e dessa parte o hesita
no mesmo lugar permanece
e agora vazio veste o hábito da fundação
nos desconhecidos esquecidos
ideais relatos de uma qualquer coisa quente
e não (!) basta do horizonte
mas apenas aquando do céu não estiver nublado

3 de dezembro de 2018


Espera na terra
De ninguém um correr filigrana
Tensa o resultado em detalhe
E refresca de origem
Os ecos mananciais ecos
Chegados da melhor maneira
Na possível marca todos
Os dias mas imediatamente não

30 de novembro de 2018


Segredos inteiros
De prata pouco-a-pouco
Sugeridas castas
Por inaudíveis palavras adiantam
A cor envolta
Aos recatados tecidos

29 de novembro de 2018


como sabe e não soa
forçosamente depende do arranjo
e pela primeira das razões
assegura as palavras
num segundo compasso
que esclarece
um certo uso do utensílio