1 de junho de 2015


O irradiar da ausência
(universal essência do verdadeiro aspecto),
não se confunde,
parece,
ao movimento em sintonia da presença risível.

Colateral à direcção
da coisa,
qual própria coisa,
chega
ao pensar
posto inacessível
substância
(fugaz)
que move
o sentido na palavra
chegada
dos emblemas e costumes,
num oblíquo
porquê e o quê
notado
à verborreia das miragens
em incrível
fundamentação
ideal, que é,
a noção mais
ou
menos credível
da instituição da crença,
e toda a verdade,
e não mais
que a verdade possível.

29 de maio de 2015


A imagem
posta
por alicerce
do véu,
exclama
o auge da
festa,
por morte
em directo
ao céu,

(mas deixemos isso),

o que conta
não é contado
ao nascer,
e o mesmo
do mesmo,
não é,
ponto
de partida
da coisa
implantada
em manifesto
nada.

27 de maio de 2015


O ateado indicio,
de vestido mosaico,
jorra (esquecido),
os arabescos
do (primeiro) dia.

O tambor, a dor, o iniciar da cor.

E o que é sentido das fendas,
( por norma de um território particular),
faz a diferença
tecida
na origem do canto
ao entardecer,
defronte aos muros de Antioquia,
(soterrada).

O que é por máxima tirado,
para fora do seu contexto,
por tantas vezes repetido,
até por sabedoria passa.

26 de maio de 2015


As palavras em segunda mão são outras tantas indicações da origem, vestem, alimentam o vazio enquanto passa, e é entretanto que se vai morrendo, só para dizer que chega.

13 de março de 2013


Esta vida pertence a uma outra face, e mostra, na progressão do detalhe, um brilho que espanta e desencadeia o pensar as vinhas de uma certa cor, agora, ao balcão de um mosaico imaculado.

Máscara ou espelho o eu da face escondida ganha um olhar sem fim laminado em fazer, em ser, em vontade, em massa da cor da terra que acentua a vogal como quem esconde, como fora um segundo a mais, sentido, ao despertar dos cadafalsos.

É costume dizer-se que os olhos também comem, e será, talvez, por causa disso, que não será aconselhável aos consumidores “gourmet” assistirem à matança dos ingredientes. Poder-se-á tirar daqui uma relação directa entre o sentido da visão e a sensibilidade do estômago? E será que uma tal relação de palavras fará algum sentido?

8 de março de 2013


Desertaram as esvanecidas miragens em formato de plásticas garrafais, situação que, revelada em velados de marca, é um mal concebido escaparate, sobeja no bolso dessa atenção garrafal.

São pequenas as letras e a conversão dos instantes urdidos segundo a lógica do tempo vulgar que vão, transposto o véu e o correspondente momento, apresentar-se, por fim, perante uma audiência que boceja, esquecida da passageira beleza, no rótulo de uma reciclada embalagem.

Naquele tempo, um manto híbrido envolvia a voz por teias lançadas, imaginavam-se imagens, a miséria sincopava a fome que tudo devastava à sua passagem, e, entretanto, o mundo girava como se fosse um todo.

O escrutínio, por silenciosas sílabas do pensamento em face, chega, imenso como a construção dos anos, e escrevinha o vazio em teorias do imediato.

O sonho acorda ao som dos cânticos desgarrados, (assembleia de gritos repentinos, imagem do sequestro social), e ignora, por certificado que seja, qualquer fim de conjunto. Valha-nos o são atencioso das garrafas, digo já, antes que seja um nunca mais acabar.

6 de março de 2013


Nesse dia acordara um pouco tarde, a noite decorrera agitada, violenta. Bom, nada de grave, afinal, ainda havia bastante tempo. E foi só por voltas do crepúsculo que compreendeu - tinha adormecido demasiado cedo.

Desolado. E também lamento o reforço industrial do léxico. Nem toda a convulsão é assim tão intensa assim como nem todas as elocuções padecem dessa intenção. Esse fátuo das máscaras. É ambíguo o deixar cair das falas inaudíveis. E são tantas as maneiras das setas da velha discórdia, da lava que escorre. Ignora ao que vem como quem se vaga das decadências, como quem tira o seu proveito. Impera, mas nem lhe passa o paradoxo.

5 de março de 2013


Da frase feita a dirigir a culpa do petiz, notai-o bem, em quanto se assemelha, ao mais austero semblante, de quando o rei vai nu, distraído.

4 de março de 2013


A montanha grita os ecos do vale e sobe um bafo da terra em palavras de seiva, os malabaristas do fogo rodopiam lá de cima, está na hora do discurso – é ainda tão cedo e já não há nada a dizer.

3 de março de 2013


Um pátio deserto e cinzento. É com certeza o inverno este lugar. Outra circunstância. Um terminal desolado aguarda o fim da noite que, enquanto passa, desespera qualquer coisa. Alguma vez se viu noutro assim? Consta que um rei, só por isso, colapsou.

O acordar faz ressaltar da rocha um contraste que perdura - é bom sair pela noite adentro encharcado, as ruas têm, nessas horas, um sabor melancólico a inolvidáveis desertos.

2 de março de 2013


À falta de quê permanece, (como iguaria apetecível), o invisível tomado fora do seu domínio: canto da madeira em terrenos do estômago quase voraz (limitado na sua capacidade) que volteia o anunciado trajar primaveril.

Para lá do mar, e ainda para lá do mar do mar, repousa o sono perpétuo das circulações humanas, aborrecido, assenta os pés na terra monumental, que um dia, a crescente vegetação esquecerá.

Em termos de silêncio geral obviamente, um singular som do castelo outrora.

16 de fevereiro de 2013


Terra, irás colher o trevo à sombra das latadas. O que será feito das casas, do cheiro das folhas, das madeiras à noite a ranger sob a cautelosa passada. Onde ficas e em qual das telhas vês o pretenso atingir do chão, o acordar, a erosão, os lanços de pedra à volta como as velhas moscas em confraria, de uma certa maneira. O horizonte eleva a gritaria ao céu das vilas despovoadas. O sentimento surge ao bater dos sinos na gélida manhã petrificada em imagem de peso. Branco é o gelo habitado a sós contigo ó condição. As ondas, agitadas neste campo de onde sigo as janelas plantadas dos passageiros aromas, assentam as suas tendas junto apenas por momentos, e os ossos, no centro da montanha, queixam-se ao primeiro rebento de um sol que não termina na pele.

Sustentabilidade. Para ilustrar o conceito recorro ao bem conhecido episódio do elefante que atravessa as calmas águas do lago saltitando graciosamente de nenúfar em nenúfar.

15 de fevereiro de 2013


Empreendedor.

Dirijo-me ao frigorífico, abro-o, olho lá para dentro e retiro um iogurte, já devidamente munido da colher apropriada, como-o.

“A sorte favorece os audazes” em dois actos.

1) Os audazes morrem na praia ponto. Por seu turno, enquanto os audazes falecem na praia, o personagem que exortara os mesmos foge, apressadamente, justificado, obviamente, à providencial maneira do recorrente artifício da pena utilizada em semelhante situação épica.

2) O personagem que exortara os audazes encontra-se, por fim, e depois de muito correr, ajoelhado perante a sorte a suplicar pela vida em vão e é trespassado, terminado às mãos do desfavor da sorte e da pena madrasta.

Um banco de madeira estendido
Corre o olhar perplexo
E aceso
Que aguarda a sua vez
Desfeito em considerações de entrada.

A duração responde por si e lavra o metal diverso nos rios tão calmos como o suceder das inércias (chega-me essa situação, obrigado monumento) descompassadas em parcelas do peso a simular ventanias chegadas a um opaco objecto. Resolve-me essa linguagem suspeita da palavra feita à medida da inclinação referida nas forjas a liquefazer os agitados punhos da (sua) preciosa qualidade.

14 de fevereiro de 2013


Cheguei de noite à cidade (como quem regressa).

Respirei todas as luzes
Até que o cintilar
Nos olhos
Ficou
Desse instante
Em miragem preenchido.

Sempre que te ouço.

Um dia soltámos palavras de pele.
Contigo fui pelas ruas
Enquanto sorrias ao chão silenciosa.

Vagueámos no lugar das calçadas
Sem dizer palavra
Como ilha silenciosa e sonâmbula.

Percorremos os caminhos todos.
Chegados ao cais de partida
Despedimo-nos num olhar mudo.

13 de fevereiro de 2013


A cidade
Ao acordar a manhã chama
O eclipse
Das sobrepostas entranhas
Que cai
No curto-circuito momento.

12 de fevereiro de 2013


Sim, tudo é efémero.
Um passado instante esvanecido em fumo.

A rara imagem
Da antiga festa do sangue
Regressa ao sol
Da estação propícia
No sangue atirado à terra
Manchada.

Ausente
Empalidece o olhar imóvel
E a multidão
Aguarda o linchamento.

São dias de festa.

11 de fevereiro de 2013


Sentado à lareira que adormece.
Observo os incandescentes restos de carvão
Em derrocada.
Afasto o pensamento
E o corpo aperta sem tomar atenção.

O alento obriga a luz que se vai extinguindo (enquanto divago, aqui onde me encontro) a revelar o que chega ao fim do caminho. Só fica o carvão.

Outrora sonhara
O momento igual nos olhos nascentes.
Desenhado em arabescos
Do sangue em fuga
Ao rumor vago
E doce
Das águas nos regatos
Calmos.

Aqui estou cristais passados.

À sombra da lareira adormecida
Permanece o negro
Na sombra de um outro dia aqui.

10 de fevereiro de 2013


As fontes da forma chegam um dia
Ao meio do caminho que encontra o dizer
Solto nas coisas em partes do pão.

Maços de papel dourado como o sol
Adormecido sem saber donde
Vem de noite tomar um ponto de vista
Em sonho adiantado ao sonho.

Liberto desmanda o porvir
Em férrea animação nos areais que carregam
De dentro a vontade
A que vamos chamar de vez quase tudo.

Tradição do silêncio embriagado.
Tecido em mascarada de uma ópera justa
Ao corpo do barro vermelho
Que torna aos trapézios estendidos abismos.

E as seculares fontes da dúvida
As quais nada levam das águas passadas.
Ao chegar o momento
Existiram somente para ali chegar.

Num instante o mundo todo é feito
Ao luar que sucede
Um passado em sintonia
Das rotas que vão tomar-se outra vez.