11 de fevereiro de 2016


Partes

Da inquieta ablução toneladas de metal retorcido e a suscitação do cabelo em desordem, a um movimento de partida a multidão, entretecida das memórias – produzidas – da processão dos objetos sucedidos, por cada passagem dos dedos erigidos fica, aquela forma, como que ao outro lado ornamental da exclamação e numa mesma voz uma destas noites que chega - luminosa razão de origem – em múltiplos, mutilados corpos intuídos, de cortinas inquietantes, e escadarias intransponíveis.

27 de janeiro de 2016


Sombra

Por delicadeza nasceu entre os juncos sugerida,
falta verbal aqui no entanto em transmissão,
por símbolos do olhar sepulcral extremamente contigo,
digamos assim, as paredes do que parece aveludado,

e aquilo das palavras – isoladas - que depende
em contraluz suposta, todo o seu encanto, as mais
complexas hesitações, são crisálidas como dizias
por desventura, madeixas em trezentas mil situações,

o que é preferível, bem entendido
o silêncio da natureza impossível.

25 de janeiro de 2016


Repouso

Como gramática elementar dos cidadãos doravante as éticas da expedição e os escombros levemente expeditos, a circunstância da tinta, espalhada sobre o olhar artístico.

Tiras de um papel muito apertado o lugar da dissertação criteriosa cor num suporte de excelência azul ainda, que de todas as cores possíveis, logo.

Que a madeira, por displicente entrada ao fim da tarde em modorra, e nas frontarias de uma qualquer região fica, adormecida da suavemente brisa, bem devagar, em repouso imerecido.

23 de janeiro de 2016


Cálida brisa.

Jogral forja da imaginação tal ideia chama o subterfúgio, alma dessa condição nunca houvera, a matéria das memórias iniciais.

No centro da melodia eterna e providencial os gestos da suavidade e o singelo da flor que jorra esquecida por entre o trigo o centeio e a cevada e ali empresta um brilho de frescura que espontaneamente acaba por sagrar-se à cercania e aos terrenos limítrofes, a suave inclinação dos outeiros pela manhã.

Uma brisa açoita as ramadas jovens, e também por isso, os sinos a replicar à tardinha - corações suspensos - os enclaves de sol e sementeira, a tempo da celebração nos corpos fazem, estival uns, outros, nos braços que tudo solenizam.

22 de janeiro de 2016


Seca.

A pele atrasa em ritual de boca o silêncio da progenitura. O calor, fica em processos de alucinação, distante. Defronte a uma palavra perdida vê como vagamente a sombra seduz num pulsar próximo, acaba, quando os corpos sangram siderados, preenchidos. A noite é vigília de um movimento apenas, tragédia de veste invisível, significação do sangue, um simples rumor cru da pele extinta, ressequida.

21 de janeiro de 2016


Duas linhas

O instante, só por si, não faz a vista desarmada,
como nos campos desapiedados sais da condição sobretudo, mesmo resto.

19 de janeiro de 2016


O esquecimento dos anciãos.

Os homens na labuta, cada dia. As mulheres, belas incansáveis, partilham sofrimento defronte ao sorriso das crianças, cada entardecer à volta do fogo. Sombras e florestas, risos, a noite dentro aos corpos estarrecidos, refeitos mesmo assim, como se rendiam tranquilos nas almas apaziguadas.

Já tarde era o indício reparador e o gesto dessa maneira até que nada fique da inominável barbárie. Na memória dos homens perdura o esplendor azul. É estranho o hábito da substância absurda e como ousa, nos gestos fustigados da condição latente, os pedaços de uma condição silenciosa.

Num repente acordado à espécie da agonia cada instante, todos no território do olhar tão perto, a permanência pesada, as normas da implicação, os artefactos consigo e a memória dos corpos em silêncio.

16 de janeiro de 2016

O tempo e o ritmo.

Foi pelo tempo em que cai temporais na planície depois da longa visão do festim queimada - sabores amargos em comoção indescritível - que por sílabas de morte tardaria o seu principio ocasião dos poentes esbatidos.

Como gravura ainda não verdadeiramente à conquista do sujeito serão, dias de festa e rotina, os cenários da criação encarada no seu modo natural, reprodutor disse, e em face dessa primeira demonstração que gesticula a pertença como se tocariam autenticamente a terra áspera e o pé flamejante com toda a assistência reduzida a um estado de neblina.

A esta distância - registo do qual não houvera memória - do primeiro esplendor nas casas janelas e cabeças não há memória tal nos caracteres da passagem de época, são doze as profundezas da vegetação, e a gordura incendiada corre os recessos da humanidade até um momento seu semelhante correr da figura diga-se, pois, que desde aqueles tempos tudo não passa do mais que o destino ditaria e é verdade, sabemos da exaltação e do próximo instante, por detrás de um olhar contigo, (isto é o que se dizia), quando os campos se acendem de abelhas e cores variadas e o céu permanecia os olhares todos um só feito e derramados na terra sequiosa, como os corpos fisicamente entoam versos, cânticos, magnólias.

12 de janeiro de 2016


Branco, corpo, espelho, roda, limite.

Nada é mais verde que a companhia ... e o que percorre.

2 de janeiro de 2016

Relíquia, corcéis, elipse e caldeus.

A terra em ameno convívio à primeira vista. Seu corpo, forma de mel, por caudais acima, traz a matéria de que é feita a rua e as ruas, os pretéritos de falas encadeadas. E presumivelmente fica-te, cada vez mais, como fora a imagem de uma pedra justa aquele movimento de alma que faz do mesmo um tempo em presença. Como a vida aqui suspende-se a noite em tentação de chegar a palavra, para além de toda a luz habitaríamos a imagem do olhar completo, o regresso aos vagarosos lugares vivos, cores de cada um.

31 de dezembro de 2015


Palavra Figura.

Dedos de azul cinza acesa cor.
Estruturas de luz.

Efeitos cruzados
E linhas de terra
Rasgadas
Massas de cor
Sobreposta
Luz em verticais
Da chama
Uma atenção
Plena de tudo
A posição vazia.

Das margens derramadas superfícies futuras.

29 de dezembro de 2015

Perfil

Gosto do imenso da natureza e dos cheiros de Outono
Os corpos deixados na brisa que desola
Um maduro acabado que a pele adormece em terra velha
E as folhas espalhadas
Caídas como que de um peito leve, indiferente.

Gosto da manifestação da verdura e da tinta almiscarada,
Intensa marcação dos que sobrevivem
Num gesto lento, sorrido em delicado embaraço,
O desconcertado movimento da vigília, o género.

25 de dezembro de 2015


Atum , mestre dos sarcófagos, luminar dos oceanos,
da facécia estarrecida em legião funda a crispação
da prata em vigília, a doce visão da magnólia,
molecular, como diz, há sempre
uma justificação que em tudo suave, sim, suave.

A saber, a lágrima e a palavra passageira,
a enfim contracção adenda de um qualquer
estarrecido alimentar
das condições aprumo, o verso em bamboleio, isto,
claro, mas apenas a título de exemplo.

O ponto aqui é de quem sabe e de quem si,
de quem espanta, de quem quer que sim,
de quem se centra aos arrabaldes da elevação simples,
por meio do utensílio bonito,
e numa uniformidade, o que diz porventura.

Claro que tudo isto é claro, e é muito, e ainda
mais na condição de que seja, por principio,
pois tudo é alimento e concertação,
e o quer seja em nome das admiráveis moléculas,
e como de tudo isso, mas em silêncio, claro.

22 de dezembro de 2015


Mote silábico.

O Outono em restos de festa sobe ao lugar das retinas
Como cor que se tem ao fim de um mesmo em palavra vazia
Ou os sinais da mágica dissertação.

O inverno chega numa imagem de espanto
E luz aos corpos sossegados
Como sinais do repente ao cume das arestas entrevistas.

18 de dezembro de 2015


Espécie de alar a manhã
Que em cada qual circula assim que chegar
Num parecer de caligrafia firme
E dedicada, é toda uma acepção da utilidade.

Os cantos são luxuriantes.
Os castelos, maneiras de concatenar.

(O de cima, o de baixo).

E pese embora o murmúrio
Da cor em catadupa aos areais
É da fruta que se diz o acto
Surpreendido em falas de valsa e calor.

São fogos de um sentimento colorido.
O alimento da íntima velocidade, a madeira.

12 de dezembro de 2015

Leituras.

Com Piaget ‘aprendi’ a manter as coisas em perspectiva, ancoradas, em perspectiva. Já com Lacan aprendi a disposição do objecto em campo e o campo. É como em tudo suponho, compreendemos, reflectimos, podemos até dissertar e chega um dia, mais tarde, ligamos numa ocasião, outra circunstância, e exclamamo-nos, bolas, caramba, então afinal é disto que ele estava a falar. Isto, que com ccerteza já nos sucedeu a todos suponho é, no fundo, uma vivência.

9 de dezembro de 2015


Olha, o olhar fechado, desimpedido.

Reflexos de (uma) luz amarela enquanto passa
Enquanto passa a adjectivada substância
Do nome em cometas enigmáticos
E linhas de luz suspensa uma impressão
De frio aos plantados poentes sequer da palavra
Lava escorreita o fogo edificações sim, porque não.

7 de dezembro de 2015


Numa Pergunta.

Como semelhante exaltação do destino
Quem no seu fogo perfeito iria ao absurdo
Em barragem noctívaga.

4 de dezembro de 2015


Não posição.

A memória de uma mesma sombra
Que falta não, o olhar e o que passa
Junto às teias da imagem
E o que não, verdadeiramente, vazio.

2 de dezembro de 2015


O linho,

flor
no coração
da rama
meio
de fronte
azul

inominada

forma.

30 de novembro de 2015


O atraso na voz
Como plasticidade em passagem
Lenta, causa
Da separação das águas.

Sinais de fumo. Sucessivas. Noites de fundo.

24 de junho de 2015


Nota que decidi falar e és uma maçã,
e que é o cheiro a maçã que me traz,
e que é este sabor a maçã que me chega,
e que é imerso neste calor de maçã - que, trago
o dia, agora - um manjar de maçã me chama
luz, nossa, a pele em maçã que fica.

21 de junho de 2015


Uma mulher está parada a olhar
O homem pesado passeia o jornal
Falam-se os belos tempos de outrora
E uma criança abraça o seu cão

A jovem bonita descobre o perfil num gesto feminino
E marca o semblante de uma escrita invisível.

16 de junho de 2015

.


Órgão.

Outro imagens
Em cratera reunido
Os ossos acerta
Ao latejar de Atena.

Deixa o occipital rasto
Em pó de estrelas
Que cresce na pele
Em matéria de terminações
Setas tornado inversos
Clarões de fumo
Inquietam no vazio
As ondas em cortejo nocturno
Abertas azuladas
Da luz que dispara cometas
Junto e faz o silêncio
Nos ossos assim sossegados.

15 de junho de 2015

..



O trabalho do parecer
corpo singular
outro
faz a quantidade
expressa
em clarões sincopados
- estampas alheias -
que abertos por instantes
soltam verticais de sentido.

13 de junho de 2015

.


barca vigo esfera
o cantão babel
que ouviu no eléctrico
- como vai fruto tão desejável -
q'eis o porto
em ondulação dessa vez.

10 de junho de 2015

.


Sapato riso
Os botões devagar
Rosa
E lábios de encosta
Numa garrafa de plástico
Ameno

(contratempo)

Lançado
A baixo
Em casual
Rubor Sugerido

(apenas)

Pão e café

(na)

Mesa das palavras
Momentâneas
Montras

Dos arbustos que passeiam,
Sinais na tarde que dorme.

7 de junho de 2015


A postura não fácil do braço pendular
Em lento passeio da notícia
Faz a dissertação dos rins
Num gesto figurativo da camisa opaca.

4 de junho de 2015


Uma superfície
de luz
povoada
ressalta
em claridade
e jogos de sombra
escadas
de tom
crescente
decrescente
devolvido
reunido
ao inamovível
ínfimo
lateral
opaco
como janela
de um
som azul
e vento
chegado em paz
ao pensar.