23 de agosto de 2018


não de momento não mas seria
levado a cabo pois tinha de fazer melhor na sua carne
interior mas e aí pelo menos
mais dia fechado menos dia nas coisas
mais naquela imagem da carne em tentação mas sem nada de novo
mas de valor sem nada
mas antes queria brincar com as pedras

22 de agosto de 2018


esotérica do pensamento do mundo: faltam palavras para dizer

mesmo cor de castanho
tensiona de paradoxo
o parecer do sedimento
na curvatura da carne
não tanto por palavras
mas fragmaentos
mas antes irreconhecíveis

analogia do funcionamento da mão num movimento furtivo

o que de bom
se diz
ao de leve
e da noite
e de perto
de qual apelo
numa mesma volta
ressoa
de som
e de caminho
de a de

21 de agosto de 2018


esotérica da extensão mágica: a palavra é como que uma extensão mágica do resto do corpo por assim dizer isso ou uma outra maneira de dizer as coisas

de maneira desce
em lábil canto à vibração
localizada
no sentido segundo residual
da faixa do grito
cintilantemente
das pedras ressaltou de matéria nas palavras
mas ainda se sente o sabor

enigma quanto

nessa noite sucumbiam dedos por entre os veios da madeira e as azuis formas de uma suava envolvida carícia

nada do que importa
alguma vez chegou a ser dito
em nenhuma palavra
de historicidade e falta comum

basta ver que nesse tempo
e isto não deixa de surpreender
o silêncio das palavras
supunha-se chegaria no mistério
das elevadas notas
de dentro e de perto
à impossível raiz das gramáticas
através da noite quais partes
sem saber de sonho adiantadas
em sintonia de uma nova regra
(de um outro espaço)
em derrocada se extinguiam
e só ficava o sangue
nos descompassados ecos da linguagem
feita à medida do lugar
na pele por aromas interpretados
da convulsão dos antigos
escritos nasceram
aquelas negras sílabas
qual mais valia da exultação
da palavra que fica das letras
a descodificar de beleza
o eu pormenor da vogal acentuada
num esquecido segundo
ao redor dos olhos mas não
dos lábios como é mais usual
e que pois refere e (se) refere

20 de agosto de 2018


chegar nunca
será dessa dor
das outras vidas
tu antes de partir
de madrugada

o que conta na expressão é a descrição clara e precisa da intuição elementar pois as intuições elementares do pensamento são as intuições elementares da linguagem

linha

por momentos vacila
mas depois não seria assim que caminhavam
as máscaras
a iluminar a inicial da primavera
numa voz (eram poucas as palavras)
da paragem das horas
e os céus caiam em luminosidades terríveis

18 de agosto de 2018


esotérica das ideias: clarões de coincidência, de semelhança

Na fábula o consumar do acto está sempre suspenso de uma última palavra de réplica, como se desta lhe chegasse o motivo do desenlace, e daí se sublimasse, numa exterioridade sentida por assim dizer

Elea nunca se entre olham
para não se revelarem
e o campo vai-se povoando
dos seus gritos e murmúrios
e quando por fim tudo acaba
cobrem-se emudecidos
de reprodução e lamento

17 de agosto de 2018


esotérica da palavra: o dizer pela máscara, ou pela palavra, aquilo que não deve ser dito, é como que a estratégica expressão do eufemismo na fala, ou na escrita.

por sucessivas camadas
do ar da palavra
distende a respiração
num tu e eu evasivo
a sincopar as letras
- distraído -
do ponto de vista
das pneumáticas analogias

da hesitação

algo eu de não estar
em cada pedaço de uma despedaçada nuvem
e outro ao passar do tempo
sublinha em algumas linhas
de diferença
o hesitantemente agora chegar da rosa de olhar perdido
desce
aos joviais labirintos
das soberbas ofegantes metonímias
de origem
numa alterada respiração de amarelo carnal

16 de agosto de 2018


esotérica do objecto: o objecto deixa uma impressão de opacidade e o meio pelo qual o objecto é observado aumenta-lhe a opacidade

lapso

em língua de corpo
é noção de cansaço
perpassa o preliminar
da súbita altercação

sintagma de cansaço

outro de tangente e nocturnas imagens
da passagem do tempo escorre em lábios naturais
palavras de espelho e sangue
e em segredo (se) vai ficando como num sonho

15 de agosto de 2018


esotérica da atenção: uma não atenção de atenção

o olhar (reflexivo)
suspenso nos dedos
de uma nova pintura
mais garrida talvez
se costumasse
aliás de cada palavra

demora a dizer
numa língua de noite
um verso de página lenta
(não) tarda das palavras
a sombra o envolve
de impassível sentido

14 de agosto de 2018


esotérica do segredo: suspenso na face do único instante

cada qual consigo
se faça ideia
ao som da plavra
- por meio
de algumas incisões
de terra -
no sossego das coisas

em ansioso rubor
chama ao despertar
e de margem se veste
a voz adormecida

11 de agosto de 2018


esotérica da discrição : o detalhe de cada situação elaborado de sono

no ponto de equilíbrio

jorra em prateado reflexo a palavra
de perto sobrevoa lugar nenhum
e levanta o olhar enquanto se pensava
e faz aparecer o ocultamento da parte conhecida
por meio da correspondente dissertação

nada mais alentai da noite!

uma folha desce
a traço de outonal melancolia
naquela imagem
de quem chega ao caroço
das coisas e não volta
nas mesmas palavras de sempre

esotérica da irradiação silábica : basta um pequeno nó e as palavras sucedem-se como chap´wus ou origamis

10 de agosto de 2018


Breve monólogo do órgão de si espelhado por meio da palavra

por sinal um dizer
agradável sabes qual respirar das bocas
do nariz dilatado ao limiar do acontecer
em percurso indicador
táctil no caso
prossegue assim sabes
ou então como quem diz que é assim