16 de agosto de 2019


De objecto

Chama-se habitualmente crença de objecto aquela linguagem que liga em valor aquilo a que poderiamos chamar dom potencial do objecto a qualquer objecto que assim se constitua em engano no pensamento e também na consciência.

Qual percepção de uma condição perceptiva.

Que de fora do acto expressa
o tempo em coagulado sentido
ao figurado momento
e constitui dessa miragem
o mesmo 'ao' meio da linguagem.

O tempo é portanto condição da linguagem de objecto neste sentido qual meio adjectivante que suscita a pergunta pelo acto inscrito naquele em mesmo a tempo e assim adjectivado

como que tira-se da relação
dos dois lados em função de mas do quê
que geralmente
é expelido acolhido e reproduzido.

Neste sentido
cada adjectivação é como que que a manifestação de um instinto
ou afirmação de espécie num ponto de vista
em que um dos lados é objectivado em sentimento sem rodeios.

O adjectivo é portanto e neste sentido repito o que move e o que é movido e o tempo a sua condição de ser mediado em objecto.

14 de agosto de 2019


disperso a partir de nada
deixar-se-ia então numa tentação de ponto
e assim justificado
qual estátua de profundis ficaria
até que algo eventualmente lhe chegasse

13 de agosto de 2019


sema o tema
da mensagem que se escapa
a quem sujeito
e porquê desrazão

10 de agosto de 2019


nem mais de sim
esperar-se-ia de uma palavra
ausente
que nos seus pontos assim marcados
de sombra
um peso pesasse em volta
o que deixaria como que estendido o vazio

9 de agosto de 2019


paira que saber-se
enquanto pode o que não é
como fica e o que fica marcado
e afinal apenas manifesta
o habitual sentido
que assim lhe reconheçamos

8 de agosto de 2019


quer-se um certo empenho na imagem
pois enquanto a melhores dias se vai avançando
em limitada causa de sujeito
um outro como que a alta-voz carrega
os reconhecidos sinais
de um mesmo efeito que assim manifesto se espera

7 de agosto de 2019


esotérica da amplitude:

a amplitude
é como que uma redução partilhada
mas concebida em boa fé
caso contrário é apenas mais do mesmo
por assim dizer

o gesto contido de numa certa tensão
interior daquela memória antiga e esquecida
pairava como que suspenso de um fugaz
calor quando algo súbito marcou no mundo
essa mesma expressão
que para dentro do olhar agora se retira

6 de agosto de 2019


Da extensividade

Partia bem de não tanto
como dizer daquilo que não pode ser
se sabe e assim continuado
participaria da produção dos restos
dissolvido disso
que se faça num sentido qualquer

interrompida ao maquinal dessa linha em movimento adiante
uma figura sobe que não sabe e ao repetir-se da repetição de o fazer-se
repete o próprio em mesmo que se busca dissolvido disso
e de fora não se tem e na sua mente como que diz-se de si para si
- não será de quaisquer termos que o produza como deve ser –

por assim dizer:

passado todo esse caos passado
no crivo passado todo esse
caos passado no crivo
passado todo esse
caos passado
na ordem
do crivo

passado na ordem do crivo todo esse caos.

Entre termos de tudo e nada ordeiramente passado
desse crivo e desse caos imediatamente
ficaria como que o impreciso momento dos coincidentes
em coincidente momento da notação
num processo do qual o atingir não é para aqui chamado

e o paradoxo
a quem do paradoxo
passa do paradoxo
se passa do paradoxo
não se diz
pois nesse caso seria
paradoxal dizer
que no paradoxo da coincidência
se passa de um paradoxo
qualquer

rebento em assimetria do momento paradoxal
deixa um sorriso rasgado e amargo distenso daquela ironia
a que alguns chamam a queda no instante e no fundo –
e atente-se ao uso da palavra fundo –
daqueles coincidentes termos que se anulam
tal que fique já não ‘o’ mas um
não não é de qual superfície de fundo intuída se abordaria
num impacto aquela coincidência que não é
nenhum impacto antes um quase impacto de fundo intuído
desvelado nesse mesmo instante enquanto ausência
de fundo e por meio dessa mesma intuição
chega-se a um choque ao fundo da ‘sua’ ausência
qual impossibilidade de fundo mas bem à superfície das coisas.

E tudo isso seria talvez muito interessante se não fosse nada
ou se levasse a nada mais do que isso
aqui tomado como aquilo que se procura
para proceder a uma certa finalização
não de um outro neste mesmo sentido
mas a um qualquer outro e assim referido enquanto tal
que no fundo quase bate
e que ao após dessa sua coincidência
e assim tocado do instante em que predicado se intuísse anulado
numa outra coisa acabaria mas não porém como satisfação

que qual identidade dos termos
ao coincidente instante da coincidência
em que tudo e nada é o mesmo e algo imediatamente
se escapa ou então adianta como num espelho
para a frente e num salto e ainda outras vezes para trás
deixado a reflectir-se da memória
dessa mesma imagem num qual cego percurso percorria
os outros tempos dessa mesma memória

o que é um conceito que hoje em dia tentamos ultrapassar em absoluto.

Pois um dia sim mas no caminho ascendente por assim dizer
como qualquer da memória que num outro se permaneça
e assim venha a contrapor-se a um outro da memória de pensar-se
errado seria nesse caso o passar-se assim sem mais
por uma porta ou qualquer coisa de semelhante como que propagado
por entre os termos dissolvidos desse momento em antes e depois
da memória passada e como tudo e nada o que não é de tudo
nem de nada surgiria então nesse tal ‘predicado pelo qual’ se ansiava
como que destacado desse entre dito trajecto para se vir a ter
num outro transfigurado terceiro que qual figurado fantasma
de quase absolutamente nada ‘do’ pensar-se assim de um choque
se desse marcado dessa mesma transposição e em face
dos agora incluídos termos daquela marcação que se ‘lhe’ opusera
produziria então ‘o combate’ em veículo dessa mesma oposição
possível como se disse no que transita de ter-se fora
considerado nos próprios termos predicados de um outro de quase nada

e retirado em fogo disso
que era o que se queria para começar
nunca chega verdadeiramente
a sair dos termos e aí se dissolve
em qual de caído próprio
que atinge como que reconsiderado
o processo do dissolvido sentido
do anterior trajecto
que de tal objecto ficara
dos opostos nesses termos
num reflectido reflexo
das optativas cores qual entidade
em queda de ser
que possui como que a ‘memória’
de um terceiro
em transitivo processo
de tal predicado de fundo
que continua coincidente
‘o outro nível’
do assim impregnado
processo ‘da’ equilibrada criação.

3 de agosto de 2019


nem com toda a certeza
o parecer das mais favoráveis colecções
por meio de algumas pinceladas
de deserto e mais algumas letras de lapela
subia a um tenso da vaidade e na paisagem os azuis
sóbrios nocturnos
da palavra dos quais continuamente se fazia

2 de agosto de 2019


usualmente não
mas pleno de manto e o mais
possível quanto de recurso
um quarto de papel
uma fruta de esquina
a que manifestamente inconsiderava

1 de agosto de 2019


reafirmar
por todos de uma vez
o atento
da insensível razão
que estranhamente destoa

31 de julho de 2019


cada decisão qual instrumento de escolha
liga os objectos em palavras
e surge qual aparente arbitrário das possíveis combinações
de uma certa e assim manifesta tendência

30 de julho de 2019


Do outro

chegar-te em silêncio
que fazes versos
preenchido num salto
de cor adentro
as idades num gesto
adiadas a cada minuto
nas ruas em silêncio choram

seguir-te-ia recentemente
mas apenas até um certo ponto da palavra
que de fronte se apresenta
canto que não seria motivo para tanto
e não quer dizer o mesmo
que lançado das palavras se conceda
naquela voz em que a sorrir te partes
não sei de que peso te leve em lacerado ritmo

eu cá por mim esperava mais pela noitinha
que perto chegasse e então acompanhar-te-ia
em silêncio a noite parece um rumor
que a cada dia em promessa chega renovado

e caminhas no entanto esquecido
por entre as máscaras que em volta te habitam
enquanto passas no teu passo
que parece lento o acompanhar-te envolto
não sei de quê cansou-me
de estar num gesto a presença das coisas
que assoladas soam
nos recomeçados restos de uma luz ao longe
a chuva nos teus passos pisava
e regressaria em presença ao trepidante leve
sinal em que caminhas
cada gesto da silente agonia que passava
nos teus olhos como um respirar
daquele não sentido a um pensamento contigo

29 de julho de 2019


Da mão que lava a outra
Lavaria as mãos devagar

Pensara num momento ir lavar as mãos devagar mas antes notado ao momento seguinte desse mesmo impulso que não concretizado do ir lavar as mãos devagar como que sublimara num outro sentido

pois impulso não é decisão
que todas as decisões são devagar
e levam o seu tempo
caso contrário não seriam decisões

notara das mãos devagar que as mãos notaria apenas e se se tivesse concretizado devagar esse primeiro impulso
o que não quer dizer que as tivesse efectivamente lavado
mas antes que em liberdade notou que assim sentiu de imediato
e assim se estabeleceu numa diferença esta entre o dizer que fazer e o fazer propriamente dito
que não pretendendo no entanto com isso demonstrar-se do que quer que fosse
ter-se-ia então limitado a deixar que esse facto aparentemente inútil de escrever que lavraria as mãos devagar
se fizesse notar numa folha de papel outrora branco
e a distinção que aí se lhe faz

já dentro a noite das horas
se é que se pode considerar a noite
a das horas ao pensá-lo
se distinguia numa outra noite
o que fica muito claro
sem contudo se pensar muito nisso

pois aquele instante
em que se pensa e repensa
separado muito rapidamente
por momentos suspende
o que sem pensar se escrevera
numa folha de papel
de regresso ao instante
em que a notação se parara

depois estendido
num outro que diferente
poder-se-ia considerar
uma observação de ‘mim’
ou do que sem pensar
se fora escrevendo

do que se vai pensando
do que vai escrevendo
em qual cor se vai pensando
que se vai escrevendo

e por aí fora numa outra direcção
estendido em volta
do que tornava desse mesmo
ponto se parou
fora do tempo verbal

e adiante observou
que separado ao momento
em que já não escreve
sem pensar apenas espera
que lhe fale o que escrevia
e assim sem pensar se manifeste
por qualquer maneira
o que parou de escrever sem pensar

(por muito que esta linha
possa parecer forçada
foi escrita sem pensar)

pois então já não era
o mesmo que separado
lhe disse adeus
e agradeceu o ímpeto
por assim dizer
e mesmo assim não
ficou no mesmo
que então escrevia

porque parou para pensar
saído para dentro das palavras

que como que estendidas
às avessas desse ‘mim’
pensado se tornara
a escrever da curiosa
experiência de estender-se
num espelho branco
para aí se ler e pensar
observou de repente
que num outro
um mesmo se espera
suspenso de chegar
a um não sei quê
que assim se pense

e embora tenha uma certa experiência destas coisas sempre acabaria por me surpreender acrescentaria pois embora de todo esse não fosse o tema suscitado

uma brusca paragem
e a sua posterior observação
suscitada de uma não decisão
e o deixar sair-se mesmo assim
nesse impulso de escrever
a fictícia decisão de ir lavar
as mãos devagar
e o acrescentar-se daí reflectido
o reconduzira sem dúvida
agora e de novo à decisão
de escrever que notara
que lavaria as mãos devagar
a pensar que o escreveria

mas nesse sentido
era já muito tarde

27 de julho de 2019


sem qualquer ponto fixo ao qual se agarrar
com certeza que se não poderia conceber uma qualquer aparência
por mais que conturbada fosse e num sentido
de exagero ou mesmo num certo sentido de falta de exagero

26 de julho de 2019


esotérica do esforço:

a bem dizer
expressão de todas as possíveis
notas em silêncio
da substância que é o esforço

25 de julho de 2019


isolados os efeitos
a uma mesma causa afectados
a razão considera
livremente o que não está
e a cada geração
recomeça sempre de novo

24 de julho de 2019


o hesitante da partícula
qual mensageiro parece
um passo dado
no confortável sentido

23 de julho de 2019


algo se escapa
em sinal de ponto
por menor do qual
na posição limita

o ventre de todas as afecções
agente de todos os nomes, de todas as lógicas

22 de julho de 2019


reconhecido num buraco
de agulha espreitava
ao similar do conceito
que adivinhado
enquanto verdadeiramente
compreendido

20 de julho de 2019


do situado acto
a um atento destacado
tudo evolve
naquela plástica condição
que preenche o movimento acompanhado
de si numa nota
e a cada palavra penetra
o perfeito (por assim dizer)
da forma adivinhada

19 de julho de 2019


de posse e uma vontade
ao potencial da posição aglutinada
qual mobilizado num interesse
e o agente fora
como algo mais que uma simples persona

18 de julho de 2019


de alimento incorporado
o sonho de uma simples forma
qual mensageira partícula de um mundo antigo
acerta por quais eflúvios filtros
o sofisticado sentido de um represado jorrar

17 de julho de 2019


esotérica do movimento de fuga: um movimento de fuga é (neste sentido) um segundo momento sentido que se desinteressa, que distingue

16 de julho de 2019


esotérica do efeito:

de igual preenchido
o momento apenas pode ser dito
enquanto a visível forma
de um efeito que não causa

15 de julho de 2019


hesitantemente enquanto crítica
faz-se uma carga de sugestão forçada
que impregna de um corpo estranho
e o ouve em partes dessa e de outra maneira

cada critica da imagem
de uma dada imagem
é uma revelação dessa mesma imagem
que inicia a imagem
num certo discurso em trânsito da imagem

13 de julho de 2019


considerado preciso
de qual sumamente a esse ponto
o fixava frio
mas sem qualquer afirmação

12 de julho de 2019


o absurdo em nota singular
agrada sem mais quando assim referido
o que não quer dizer o mesmo
ligado ao intimamente
do ambiente em valor verdadeiro
se é que me entendo
faria então de tal prerrogativa
o separado sentido
por meio daquelas maneiras
de uma sugestão esperada