16 de janeiro de 2020


o lugar que lhe cabe
chega por qual sonoridade
numa figura que não
pensa qualquer linha ao pormenor
a um corrigido acontecer

15 de janeiro de 2020


de si se reflecte
uma cintilação de escolha
que ao tirar-se aparece
como que afastada da forma
em simultâneo
daquilo que se pensa

14 de janeiro de 2020


percorria o olhar
o espaço por detrás
a cada espelho
de perto encontrava
o que em nada
de um rumor se desfaz

13 de janeiro de 2020


apetecia se pudesse
ao que duvidosamente descia
um calor de qual sorriso
naquela velha palavra
em que gotejava de presença

11 de janeiro de 2020


ficava o lugar lançado
em imediata casualidade
e uma vez da´regressado
subia como que disperso
nessa palavra encontrada

10 de janeiro de 2020


acompanhado
de uma presença em falta
ao lado se fazia
o esquecido
em deleite de contacto

9 de janeiro de 2020


O efeito diverso

Olha que chegava
Dali numa hora o seu silêncio
Sobrava diverso
Efeito ao desvelar da presença

E numa volta sugeria
Que deixava de longe em peso
O irreal profundo
Daquilo que lentamente chama

Como a um tempo
E desaparece em celebrado
Grito o que sentira
Em sorriso efeito ficava

Nota de uma luz
Em cada chão no rosto cansado
Ao limiar dormia
Defronte uma outra voz

Da qual possuído
Se tornava em memória
E daí partia consigo
Ao furtivo sabor de uma sombra

Que dizer lhe passava
Em qualquer coisa
E que caído de contemplar-se
Reconhecia não pertencer

Dessa cor a distância
Pois se não chegasse a adormecer
Desatar-se-ia de si
Um qual pó que se faz em terra

E então daqui ou dali
Chegaria em vida aos arrabaldes
Do traço inicial
Que pensara densa sugestão

De algo estranho
Que em contrapeso introduzia
Ao sedutor lugar
Aquele inverso que se fazia um outro

E dessa mesma ideia
Em afazer preenchia
O olhar pausado
Como se caísse a primeira vez

Em qualquer coisa
De luxuriante e verdadeiramente
Tocado dessa figura
Em hábito se fazia dessa terra

Em que o sabor perdura
E vai divagar
De tão perto que agora
Transparecido de nascente

Em costume se recolhe
E a coberto de dar-se ressalta
Que o calor recomeça
Num traçado vazio que se esfera

Fogo adentro chegava
Gelo ao silêncio dos opostos
E de um outro em segredo
Subia da fonte a distância

Que preenchida
De um contorno em desacerto
Ficava cada difusão
Dos lados na paisagem

Qual antiga presença
Dos caminhos na sua sombra
Se respirava ao instante
Suspenso de todos os sentidos

E passava de si
Numa imperceptível mudança
O diz tenso
Gesto em rubor desfeito

Que qual centelha
De uma diferença pairava
Dessa falta conforme
Ao canto do lugar

E assim se apresentava
Como se de fora notado
Fosse aquilo
Em que agora se deixava

8 de janeiro de 2020


O sentido diverso
daquilo que considerado de fora
chega apresenta-se
como que de um certo lugar
de tudo aquilo em que se deixa notado

7 de janeiro de 2020


Inteiramente o lugar
que se deixa num
potencial vazio
por dizer se tocado
e por princípio
diz-se que se pensa

6 de janeiro de 2020


Pairava no mundo
como se a um tempo
se tornasse uma e outra
vez silêncio suspenso
de todas as vozes

4 de janeiro de 2020


Entendia que duvidosamente
e dessa mesma falta assegurava
numa espécie de movimento
imóvel aquilo que ficava
por fazer conforme
ao suave canto que dali se escuta

3 de janeiro de 2020


Insinuado aparecia
naquele momento em que suspenso
em rubor recebia
o sentido indeciso
que fazia em centelha de diferença

30 de dezembro de 2019


o lentamente suspenso
de todos os caminhos
indefinidamente chegava
numa volta ao que de si
se sentira e uma vez
de perto iniciado
da mudança imperceptível
em gesto se desfez
no silêncio tenso que fazia

28 de dezembro de 2019


por antigos caminhos
se faziam na pedra rasgadas
aquelas profundidades
de uma cor e da sua sombra

e o que se respirava
de uma maneira de ser soturno
passava no mesmo instante
em que se afastava longínquo

27 de dezembro de 2019


o olhar lançado
e abandonado na paisagem
como que retomava-se
daquilo que se deixa ver presença
e exangue se sente
em volta dessa mesma presença

23 de dezembro de 2019


tocava distante aquela
presença que por momentos pausava
num mesmo peso
que preenchido a cada difusão
se dizia que ficava em desacerto

21 de dezembro de 2019


Outro um dia
dizia que passava
e não deixaria de insistir
que subia naquelas partes
se foi adentro e lentamente
em presença se recebe
como que uma luz apaziguada

20 de dezembro de 2019


O que esfera dentro
a que assim se chega
de um gesto reconhecido
concede o oposto
em silêncio luminoso
que não deixa o olhar
agora de tão perto

19 de dezembro de 2019


em rasgo de calor
se trazia o sorriso consigo
e ao tornar se recomeçava
de uma luz então requentado
fazia-se como de um fogo vazio

18 de dezembro de 2019


Do que respira
de dar-se em qualquer coisa
ressalta que uma luz de estanho
se fazia tempo naquela terra
que não decide e porém se concede

17 de dezembro de 2019


Surpreendido de nascente
como que recolhia-se ao interior
transparecido a coberto
de uma chama o olhar se levantava
aproximado e aberto
como numa sugestão de surpresa

16 de dezembro de 2019


Em hábito
Se faz o mundo
E dessa terra
E dessa cor
Que o sabor
Perdura
De tão perto
O dizer-se agora
Respira divagar
E agitado vai

14 de dezembro de 2019


Trazia no olhar pausado
uma qualquer coisa de luxuriante
e verdadeiro no qual
como que tocavam-se os planos
desvanecidos assim numa primeira figura

13 de dezembro de 2019


Cansava o sentir
se a um afazer que tudo
preenchia e agora
cai numa primeira voz
que se canta
se ao ficar se deixa

12 de dezembro de 2019


Algo de estranho
em contrapeso introduzia
o instinto ao lugar
que não de si
surpreso de qualquer outro
efeito sentido se fazia
ao inverso dessa mesma sedução

11 de dezembro de 2019


Ali repousava
o que apercebido a um movimento
defronte a traço inicial
pertencia se denso se ficava
(como que de uma sugestão estranha)
em algo assim que chegava
mas que todavia lhe não pertencera

10 de dezembro de 2019


Daqui ou dali
de qualquer outro lugar
se chegasse
em vida aos arrabaldes
e que bem
dessa maneira se apresentasse
aqui depois e agora
como que se plasmava partido
em movimento de uma única condição

9 de dezembro de 2019


E uma vez mais
que de cor povoado e distante
como que inclinava-se
mas não chegava a adormecer
desataria-o de si
como que esbatido
nesse qual pó que se faz em terra

7 de dezembro de 2019


Por todo o lado
se punha que caído em silêncio
de uma qualquer outra coisa se retomava
o olhar em contemplação
que lugar de uma vez e não pertence
e assim também não fica sempre em silêncio

6 de dezembro de 2019


Um dito de qualquer
coisa que se chegue bem reconhece
aquilo que agora a saber
se sorri chamado em silenciosa abertura