27 de outubro de 2016


Tudo o mais ficaria bem
Continuasse a fanfarra à maneira dos malucos
Com cinturas de coisas
E palavras postas a concurso.

Deixa-me só terminar este cigarro
E vamos daqui p’ra fora a um outro dia de mais palavras
Até que eu seja o caso de ficar desfigurada
Nos gritos com que me corto neste vazio que me invade
Rasgada dessa imagem que não chega…
Olha-me, poderíamos sair a dizer
Desta agitação que me rodeia de línguas e sorrisos
Mas primeiro gostaria de me permanecer
Refletida nestas vidraças iridescentes
Enquanto cais na pálida tarde e deixas-me ouvir-me
Debruçado a decidir o que te parece distante
Daquilo que te parece distante
E chega da tua indiferença – dita-me
Desse lado antes que me chegue o silêncio –
A presença, qualquer coisa, diz-me que tenho de ir.

Adormecido ruíra a tua face
Em compartimentada presença os murmúrios
Que dessa e desta parte não reconheço
O reflexo e gasta-me a pele
Em debandada qualquer expressão… como sendo.

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