28 de novembro de 2018


nota defronte
aos alinhados panoramas
da memória
escritos qual espelho
se desdobra
uma distância nos mesmos
meios de sempre

27 de novembro de 2018


O suceder de cada intenção
Envolta a natureza dos corpos
Num subterfúgio maquinal
Que qual calor num dia de multidão
Chega nem sempre a quem deseja
Suplantar nas mãos prostradas
Uma qualquer dor imaginada

26 de novembro de 2018


Entre a primeira vez
Que chegara
E um dia era o final
E acaso recomeçava
Como se da memória
Caísse e assim
De nada aqui chegasse

24 de novembro de 2018


Suporta-me o estar aqui que tenho de fazer

na hora do reflexo
aceso a todas as portas
por entre as esvaziadas linhas
do silêncio nas palavras
estende-se a cada instante
um incessante rodopio
que carece de uma qual maneira
de estar em silêncio
e faz-se olhar distante
sob a luz mais depressa
derrama numa cor ao minuto
seguinte vem pousar
lentamente em ponto de vista
e assim que se distrai
da memorável confusão
enlaça na posição
aquela prestação de sentido
que qual ideal de pertença
depois recordação
deixa do entrevisto gesto
as imagens numa voz
e assim devagar chega ao ritmo
da construção do tempo

23 de novembro de 2018


Do vagabundear da pastorícia às geniais lavouras como por exemplo das últimas das primeiras verdades

Num dia indecifrável
de rara aparência
e por ser longo o contar horas
doravante (se) adivinhava
uma certa dupla condição
que decorria em causa do lugar
e ficaria provado desde sempre
que o circular das atmosferas
numa linha imaginária
divide a totalidade das coisas
e metaforiza por debaixo
da pele as sugeridas palavras
da parte de cada um
que antigamente esquecidas
(essas mesmas palavras)
carecem hoje da exposição
do mesmo a um tempo
atrasado que deriva ao nascer
das estrelas uma luminosidade
sombria mas sempre nascente

22 de novembro de 2018


Esse
qualquer coisa que fica
num perfume de frase ou palavra
em sonora sugestão
de raiz convoca a um tempo
aquela atenção
súbita ilumina de exclamação
o bom sentido
que porventura daí se tire

21 de novembro de 2018


Num dia de assimetria
Uma espécie de cor se maravilha
Num enredo de palavras
Cobre a cada qual
Em colorida gestação de apelo
Monótonas cadências
De algumas promessas de leite

20 de novembro de 2018


O concertado movimento
das falas
que lhe assistem
na cinzenta manhã carregada

Dos húmidos recantos as descidas escadarias passavam como se pela primeira vez consigo o invisível da posição se acertasse naquelas límpidas e articulada breves que em contraponto se faziam ressoar de tão desejado efeito

doutro acontecia
por vezes em silêncio
o eco se fazia o eco
das palavras em desempenho
e apreço de uma
qualquer ideia escrita
clamava
o arremesso das coisas
em peso e pausa
qual substância dos ditames

E o fogo da posição escrita qual natural herdeiro da conversação mais ou menos íntima mais ou menos privada percorria a quase totalidade das camadas misteriosas a saber

das regras dos mosteiros
da constante alusão dos pátios interiores
dos palacianos bastidores das ágoras cuidadosamente trabalhadas em laminados de enredo
dos palcos das ditas simbolizadas na sensata e verdade universal
e do redor das fogueiras ao anoitecer distante

Entretanto

Dos elevados cumes
Descia uma luz
Sensata iluminava
Fazia todo o seu bem

Cumpre no entanto aqui notar que no jogo da posição escrita quem perde o nariz não conta e que o perder do nariz no exercício da posição escrita é como que uma universalizada visibilidade que diluída ao recatado da regra ali irrompe o oculto da mesma em polichinelos garrafais

Como na parábola
do rei nu
aquando ao mais pueril
dos rastilhos
se desperta de inocência
o tácito coração da regra
paira suspenso
sem sequer chegar a dizer
de qual fundamento
é o seu parecer bem

E este casual da regra é a alma do segredo nas entrelinhas da palavra escrita e ainda dizer que embora seja o peso que formalmente instaura o aparecer da posição os invisíveis materiais desta produção são e desde sempre os da leveza por muito que esta afirmação possa parecer paradoxal que o é pois este está no cerne de tudo e do qual e ao qual sempre se regressa como se costuma dizer o que o torna incontornável habitante da excelente leveza nas entranhas da posição

Livrai-nos pois
do interior silêncio
do ruidoso exterior
ambos se tomam
bem vistas as coisas
do ponto
de vista do mesmo

Dito isto caberia à poesia o papel do menino nesta história que

desferida junto
à raiz dos frontispícios
levanta o agora
rumor por meio
das mortificadas posteridades
que alimentam estas
as suas diluídas causas criadoras
aqui e ali estendidas
nos velhos cantos
dos novos contendores

qual prestação de serviço que integra o mais recatado da regra em silêncio e assim se faz investido de si por meio da boa via por assim dizer que como que destila.

19 de novembro de 2018


o que intende é
pois um prazer
que rebate o carmesim
dos encantados tornesóis
e ainda mais alerta
ao visual contacto
nos corpos habitual presença
estende-se
numa outra maneira
de ver as coisas
que qual consideração do motivo
a cada instante passa
e perpassa nas imagens
todas elas pertencidas
a uma linha superfície
de curva infinita
mas que nunca se encontra
nunca se fecha

17 de novembro de 2018


a infinita partição
de si por assim dizer
em contratempo
figura o limite
mas sem sinal aparente

16 de novembro de 2018


do positivo instante
diz-se por sinal exclusivamente
uma certa forma de contemplação
que desdobra o movimento
nas superfícies
de uma linha imaginária

15 de novembro de 2018


está tudo ligado
no imenso memorial
das línguas
da terra queimada
qual incandescente miragem
que sai da penumbra
num meio de escrever
a tudo chega
nas amontoadas
eras dessa palavra
que ao inverso se retoma
em inicial do movimento

14 de novembro de 2018


uma estátua
de incauta cor
torna dos campos
e envolve o vazio
numa espécie de palavra
que nome edificado fica
e a morte chega
qual soberano igual
a tudo reconduz
num esquecimento

13 de novembro de 2018


Noutro lugar
E numa outra ocasião
O estar de cada parte
Nos humidificados estratos
Mais ao cair da noite
Quase em sinal de ventania
De cada forte e alguma
De caída cinza de prazer
Em mirabolante cortesia
Como que tece
O isso díspar de sentido
Que destoa no ornamento
O limiar daquela ocasião
Que chega qual luz versátil
A uma ocasião de rubor
E acrescenta aos outros dias
Aquilo que mais sucede
Por entre as linhas de tais
Sorrisos a mais
Mas que a todos pertencem

12 de novembro de 2018


o trabalho da memória
é a causa das coisas
desperta das pedras
uma ausência de comoção
que lapida sombras
iluminadas de sombra

10 de novembro de 2018


dizer outra coisa
por quaisquer palavras
de ausencia
num dia de repente
o olhar retira
consigo a resposta
que coberta
de razao se esquece

9 de novembro de 2018


uma terrosa
cor de castanho defronte
aos porosos torrões
da terra em volta
e algumas letras animam
de valor a expressão
dos comovidos socalcoa
do tempo antigo que
como que parado grita

8 de novembro de 2018


das formigas

por carreiros abertos
na fronteira dos filamentos
em meio ao primordial
arvoredo lentamente rumam
ao fel mais além
das enigmáticas correntes

7 de novembro de 2018


a primitiva palavra
do silencioso arbítrio
cendrada de espanto
faz-se suspensa
num reflexo de sombra

6 de novembro de 2018


de cintura fina
vestida de primavera

cai no feno
a flor envolta
ao dia
das mil carícias

5 de novembro de 2018


a esta espiral imagem
pertence uma cor cinzenta
que se esfuma no reflexo
de uma lenta lentidão
entra junto ao vazio
e agora espera por meio
que a receba e assista
ao divagar das palavras
adormecidas na sombra
ficam curiosas suspensas

3 de novembro de 2018


vazia de longe o inaudível
clamor de limiar desvanecido
em primado da razão no sensível
corpo conforma ao costume
de cada palavra aquela
parte em silêncio que continua
o cego vazio que a chama

2 de novembro de 2018


por detrás do espelho
diz-se do fruto ao instante
que caído na imaginação
sopra da sombra
aquela cor de engano
que aos gritos se interroga

31 de outubro de 2018


e ao descer a rosa
o colo da seda floresce
na terra um apelo
descobre em abandonado movimento
as suas pétalas
que esplendor
veste ao declive da festa

30 de outubro de 2018


por volta do entardecer
por detrás da montanha
ao longe uma presença
como que desperta na carne
os consumidos artefactos
ostentados ascendem
em numinosas tonalidades

29 de outubro de 2018


dizer em volta
que dali se contara a espessura
do caudal
em conjugada regra
de todos
dizer devagar
que doutrora mais
se deixando o dizer das dissipadas
cadências de somenos
chegaria a dizer-lhe
ainda que
de correia à cintura
seguisse em bela figura

27 de outubro de 2018


do gesto representado
o pormenor da posição discreta
as mais diversas tradições do ritmo e da indumentária
momento de lazer este seguido de uma pausa
e celebra nesses quais ornamentos
o nascente vislumbre do radiante celeste

e de cada simetria encontrada
o raro e absolutamente descabido em papel velado

26 de outubro de 2018


e dessa rarefeita circunstância
das altitudes (agora cobertas de humidade
e neblina qual espécie
de metáfora da vegetação cerrada)
paira junto
às margens do rio
a qualquer momento naquela
brumosa e silenciosa cadência
das misteriosas colorações

25 de outubro de 2018


Concertinas Tamboris
junto ao bizarro anoitecer dos interstícios lentamente verbos
de vacuidade insinuados
dizem do perdido sentido ao fulgor do primeiro instante mas apresentam-se aqui e ali
numa cor de papel antigo que não pensado porém conta

O indivíduo
Ao chegar na terra
Bate os pés empoeirados
No asfalto ainda quente
Pois ao final da tarde
Qualquer imagem convém
Distraidamente passeia
O inventário dos transeuntes
Considerados estes
No sentido poente
Relativo ao ponto de partida

De perto o olhar de uma mulher mentalmente o precipita ao factício acontecimento de uma chuva miudinha
cinzentas cinzas estas que refere em condição de indivíduo:

Incomoda
Por vezes esta maneira
De estar
Plantado na terra
Dos homens
E das mulheres também
Que são belas

Sem que disso se dê verdadeiramente conta quase ao passar das em volta ruelas o final da tarde em situação quase inanimada
e acaba por exclamar que debaixo da bassa luz de um candeeiro consigo:

De passar estas vielas
Que tantas são e o aroma
Das tais agora chega
E recomenda um apetite

Sugestionado desses ditos e requintados sentiu-se dos aromas como que condicionado ao bater do estômago em condição de falta
e o agora chamava
e o assim transportou àquelas sugestões nasais que lhe vinham:

Carne alentejana
De porco ao anoitecer
Hora do vazio
E o ventre já qualquer coisinha
Comia - cheirou consigo

E foi-se adentro de si dos concorridos letreiros daquelas esquinas apelavam enchidos de cozedura junto ao jorrar do vinho e da batata abundantemente cortados em sumarentos bolbos
que sentiu-se em deglutição de tais apuradas delicias estas que podem enlouquecer o mais paciente dos indivíduos:

Musa pausa aqui
De novo neste prato
E dispensa-me
O bom proveito
De saciar em prazer
O sabor desta hora

Depois do acontecer indolentemente breve do lugar enganador chega o indivíduo àquela perspetiva de conjunto de quem disfruta apaziguadas paisagens:

De repouso
E mais uma nota
De som se faz
Uma matéria ainda
Não totalmente
Digerida destas figuras
E destas carnes

Em esotérica consideração
Da uma individual digestão

Esta aprendizagem da matéria como um todo e não apenas nas suas modalidades que não são mais do que outras tantas posições morais ou sensoriais do reflexo dos aparelhos naturalmente adquiridos
prolonga-se necessariamente em estado caótico
e desta ou daquela maneira atravessa as mais diversas camadas da disposição do movimento em processo de figuração da carne e dos ossos
tornados inertes das determinadas do momento
o que significa um certo ao redor do fundamento
daquilo que captado e recolhido se apresenta por qualquer forma de um vácuo e que
pese o paradoxo
daí atinge as metafísicas formas da imobilidade.

24 de outubro de 2018


demais diverso
frenesim cegamente
avesso flutua
perdizer das alturas
amanhecer pluviosas
manhãs de romaria

23 de outubro de 2018


horas estas a que leite
jorra os seus apetecidos mananciais
de delícia aos habitantes
das terras que desjejuam sentados
nas mesas quais iluminuras
de simplicidade e bonomia
aquela natureza agora desperta

22 de outubro de 2018


cedo

ainda ligeiramente adormecida
dado o extremo matinal da hora
a manhã pouco a pouco estende
os seus róseos dedos num cálido
calor daquela luz que vivifica
e preenche a terra de aconchego

20 de outubro de 2018


por fim tudo acaba
naquela sobrenatural imagem
das tessituras investidas
mundaneidades passadas
em alimento e vegetação

19 de outubro de 2018


esotérica da linguagem: fica entre a memória daquilo que se ouviu e o agora que se vê

na plácida visão
dos lagos em melancolia
azul tonalidade
acerca das violetas
cai derramada de calmaria
consigo mesma

18 de outubro de 2018


passara o tempo demorado
em cada sombra de subir estas encostas
depressa me cansaria de dizer
o mesmo em volta aos acolhidos sorrisos

17 de outubro de 2018


De passagem qualquer
do lado da mesma terra mas não
como se fosse um outro
em caloroso momento das coisas com vontade
das coisas invoca
desperta um horizonte
ao plástico pormenor
daquela imagem que não se diz

16 de outubro de 2018


Breve considerando de escrita

Daqui se retiram os considerandos da expressão que em si encerra aquelas pequeníssimas partículas do que se quer sentido ou notado
Daquilo que se quer e pretende notado da copiosa expressão e da lentidão avassaladora da mesma.

A expressão copiosa tem o senão de produzir uma quantidade quase insuportável de lixo e é difícil escolher nessas circunstâncias
pois conquanto em si cada palavra encerre as sementes da verdade
essa abundância das palavras tem o inconveniente de poder tornar o trabalho de decantação demasiado exaustivo
ou mesmo inútil se a esse mesmo trabalho se não se conceder uma certa e devida atenção mais morosa por assim dizer
Ou seja a expressão copiosa corre o risco maior de extenuar ou exaurir aquele estado de intuição que se quer vigilante durante todo o longo processo de decantação das palavras
por muito paradoxal que possa parecer este raciocínio aqui aplicado a um conceito já de si tão volátil como o da intuição das palavras a notar.

Dito isto considerar-se-ia que a expressão lenta tem a vantagem da prudência por assim dizer
consideração essa que não seria de todo apressada diga-se
mas por muito que este tipo de expressão lenta e quase acabada elucide por vezes de uma satisfação imediata
padece no seu âmago do pecado original da reflexão
e pode portanto e por vezes
toldar ou mesmo paralisar o trabalho de composição de sentido
como quando tarda o reconhecimento daquela ansiada e misteriosa expressão de equilíbrio
que completa digamos assim
e a disposta matéria seja por falta de discernimento ou mesmo cansaço é então cortada fora de tempo e de lugar
e assim torna os trabalhados resquícios em matéria mais ou menos desconsiderada ou mesmo irrelevante diga-se
Em matéria demasiado pesada ou mesmo demasiado leve por assim dizer.

É portanto a lapidação o momento crucial do sentido da ligação neste sentido das palavras sejam elas lentas ou apressadas o que implica que qualquer decisão precipitada ou mesmo atrasada corre o risco de deitar a perder todo um trabalho de produção das mesmas digamos assim.

No entanto quando uma linha chega de imediato se reconhece e isso é espontaneidade ou aquele encontrado equilíbrio que dissecado a meio da musical seleção e nesses momentos se toma de uma certa magia que encostada ao tom e nessa mesma nota daí se prolonga de memória ao coração encantados ambos mas isso já seriam outras cantigas.

Diga-se por fim que embora o ser musical não baste para chegar ao fundo abissal do abismo que corta aos abundantes cumes vivificadores da palavra encantada preza-se no entanto e é bom reconhecer que a cada sucessão de palavras se executam alguns automatismos de primeira e de segunda extracção por assim dizer.

15 de outubro de 2018


espelhado da recordação
das águas invisível assinatura
um corpo assentado
nas pedras ao fim da noite
espera mas sem qualquer imagem

13 de outubro de 2018


usualmente verso
o quanto possível assim considerado
mas não manifestamente

reverso plenamente

12 de outubro de 2018


Breve discurso de evocação das antigas ideias

Gostaria hoje de retomar aquelas ideias das quais já nem sequer nos lembramos dos nomes e de como se apresentavam num qualquer dia em silêncio de si naquela disposição que no entanto revelava ao inverso o funcionamento do seu fim pois no fundo o corte é que conta e dessa condição como que juntava a uma certa utilidade das coisas uma outra coisa maquinal na consciência por dizer assim:

Da instituída língua do bairro
de Alexandria a velha excita-me ainda a pele
a recordação das grutas celebradas
outrora aos recônditos das mais altas torres
as cabeças centrais chegavam
e entoavam os seus noctívagos salmos
até ao amanhecer à sombra das palavras com palavras
naquela antiga ciência dos finais
do nome e do lugar comum e das primícias da terra
preenchiam em boa disposição
alguns fragmentos de vegetação nos multiformes
critérios da excelente partilha.

fez-se então silêncio na sala durante cerca de trinta segundos ao fim dos quais a assistência irrompeu num sincero e prolongado aplauso que o orador agradeceu
cumprimentou então à esquerda e à direita e foi inversamente cumprimentado e retirou-se assim dignificado enquanto se fazia ouvir um tímido porém entusiástico bravo!

11 de outubro de 2018


Breve nota sobre o gosto requintado.

Aquilo a que se chama, ou costuma chamar, ‘um gosto requintado’, não é, bem vistas as coisas, mais do que uma certa predisposição, ou apetência, para um certo tipo de combustão lenta, para uma degustação demorada digamos assim. Assim sendo, e uma vez que, como se costuma dizer, é a idade que apura ou requinta o gosto - a não ser que se nasça com ele, o que é muito raro, e dificilmente demonstrável - poderia uma maior ou menor velocidade de combustão, ou mais precisamente o apreço que a esta fosse conferido, servir de critério, em determinadas circunstâncias obviamente, para aferir da antiguidade qualitativa, e não só, das diversas formações culturais, com tudo o que esta noção poderá ter de subjectivo ou nem tanto.

10 de outubro de 2018


o vento e a chuva vestiram
bocados de cor trouxeram
verso a verso ao laranjal

De alguma coisa
se diz que destina a educação
no tempo as quantidades de observação
numa memória de tinta
e preciosas distantes
gemas de significado bem
estendido ao pormenor das hipóteses
todas numa atenção elevam
ao aleatório da disposição as estranhas
passadas de sombra
e luz assimiladas aquelas
e por meio de alguns magnéticos exercícios de invocação das palavras
repetem nas melodias de sempre
as rochosas fontes
e o canto em vertical apelo

9 de outubro de 2018


casual da reconfortante imagem predisposta de alguns momentos

apetece qualquer coisa melhor
ao fim da tarde e só por cordial e comovido
numa interior palavra
o objecto significado em respiração
tende a um outro
que recolhido nessa esquecida carne recorda

8 de outubro de 2018


estar de fora não
quer dizer algo de frio dentro
algo se dissimule ao caloroso
pormenor num gesto hesitante
as ultrapassadas palavras
na voz de uma discursiva medida

6 de outubro de 2018


Inspiração

De plácido rosto
Cheio de nada num relance
Das fontes
O polido das pedras
Sobe em curva sinuosa

4 de outubro de 2018


em visceral composição
daquilo que quanto mais nas palavras
não será tempo de reconhecer

em suspenso contratempo
dos pés e das mãos numa voz de manhã
as indistintas linhas
da mesma canção numa simples palavra

3 de outubro de 2018


atrasado
ao nascer do dia
correu de manhã
algumas arestas nas palavras
que dali chamavam