26 de fevereiro de 2018
3 de janeiro de 2018
Outras partículas em detalhado gesto rumo ao interior do ritual – ou partículas em gesto apenas.
Qual visão das vastas impressões do sono ao despertar uma detalhada espécie de vapor ascende e toma-se daquelas liberdades que assentam na vivificada matéria que adiante pousada em mimética pausa a rotação e numa circunstância por esclarecer recorda
Num dia de estremunhado
E esquecido fragor
Cessara em salto aos dias de antanho
E demais coisas ditas
Que propriamente acima
Procura nas desconcertantes cortinas.
Ahem - pigarreou – o aproximar das calendas aconteceu aqui!
Enquanto resfolegava daquilo interrogou se lhe parecera o nariz de um carmesim descarnado da composição sugerida daquelas grandes razões que lhe assistem e cogitou num processo de conjunto o previsível daquilo que invariavelmente ascende em nota ligeira e displicente considerou
O grado acento
Ao lado do vazio
No branco chão
Que de pálido rosto em cuidado e lentamente aproximara ao lento de si num ligeiramente pontilhado de terra e reluzente metal que
Qual reflexo de cinza
Polida do rasto
Denso em cada mão
Pairou de novo
Naquela cor de chuva
E naquele aquele tempo
Junto ao deslumbrado momento
Pareceu ganhar como que um corpo castanho de seco a traço que fica em fundição de palavras
Na melodia do mesmo
Ritual do costume
Que perplexo o marca
Na boca que espreita
E devagar de volta ao instante ali ressoou do fundo o olhar naquelas palavras que como que narradas pela voz de um outro demandam a tal ponto as eloquências que súbitas se levantam a renascer das cinzas.
Nas ondas do sorriso
Se diz chegada a hora que pertence
A cada um
Do substancial encanto
Soma de outrora
Que povoa os objetos de encantamento
(Dilúvios todos eles)
Que nesse caso de ocasião emerge em rubor de novo em palavra se faz nas coisas em condição de mesmo em acto imagem de fundo ocorre então naquela condição distante
Pois uma vez belo pomar
Soava de embalar
E do canto ao despertar
Se retirava então devagar
E de uma ideia de apelo se fez reflexo em figura se pertence a multidão de olhar porquê nos fragmentos de ninguém
Pois dessa ideia ao erradicar de qualquer outra ideia importa da ocasião o espanto ao primeiro olhar que ao pensamento cega de tão perto.
E de um passo retira
A elementar rotação
Daquela volta antiga
Em presença do som
Que percute.
30 de dezembro de 2017
Da composição dos esqueletos e seu significado.
De cabelo ao pormenor
Divagar sobe
Aquela colina das coisas
Onde de costume balança
Enquanto os mananciais das letras jorram os seus voluptuosos séquitos junto ao manifesto odor manifesto (odorífera manifestação essa que se não deve tomar sem uma certa humanidade (humana) por assim dizer) daquele particular do som e da imagem que chega em composição e acolhe a cadência do sentido naquela abrangência de todos os elementos a que se chama o significado das coisas.
Em tempo lugar
Junto se faz distante -
E mais afastado.
Pois permanecera em razão de dizer ou de acreditar que descendo mais um pouco encontraria decerto aquele inolvidável instante por meio de alguns momentos de monumentalidade e degelo.
E da neblina desce o olhar (em redor) sorriu por segundos e dessa presença chega ao lugar nenhum que das silenciosas águas emerge em estação da memória no tempo que passa.
27 de dezembro de 2017
Da emancipação do gosto.
No lugar em volta ao ideal de cada um furta-se o acaso em virtualidade nascente que qual imagem do mesmo se faz no hábito em coincidente e facial expressão que não carece (no entanto) de oportunidade.
Fazia tempo
Que trazia o momento
E dali a ter-se
Depois dessa maneira
Numa qual espontaneidade do pensar que nos corpos brilha em fundamental disposição daquilo que é subterrâneo na particularidade das imagens e que ao acaso recoberta vem repousar naquilo que pertence à emancipação de um gosto mais entendido por assim dizer.
Pois de emudecimento implica essa dicção das partes (ambas num esfacelamento das carnes) aquilo que por qual celebração dos primordiais diversos distende na parte o esquecido tempo a traço de princípio que como se disse é gerado.
E dessa parte em consequência introduz o acréscimo (em nome do pungente instante) que assim feito nos corpos calcinados em sentido destila a febre e os ecos que desenfreados de confirmação se justificam nesse ocultamento por meio da festiva presença em furor das melodias que qual exótico elixir nos corpos fragmenta o nome de cada um nas vitrinas do instante em registo de mais um dia de luz no espaço que circunda.
21 de dezembro de 2017
O viajante e a cotovia melancólica
Do planalto à memória
Torres o lamento ecoam
Por maneiras de seda
E naquela presença vivaz.
(nota introdutória)
Uma vez que a distância não cessa de aumentar insuflada daquele pormenor quase oculto que sopra na terra o primeiro a partir, do segundo aqui se faz menção numa pesarosa porcelana que da palavra convoca o impassível modelo de uma certa porém multifacetada espécie.
(introdução)
Era para todo o sempre celebrada a substância e nunca será por demais repeti-lo pois o tempo anuncia algo de bom que com certeza esparso e preciso vagabundeia nas artérias que a rodeiam de instante e surpresa.
O viajante e a cotovia melancólica
Era quase indiscernível que sussurrava o caminho imerso em pensamento elevado quando subitamente o atingiu o terror da sombra azul que qual suspensa imagem lhe desvelou por assim dizer as variadas sensações de estabilidade e flores bonitas que vieram encontra-lo metaforicamente submerso nas ramagens frondosas ramagens estas que acima quase impercetivelmente se agitavam de ventura e som e desciam ao coração do viajante que num (exclamativo) gesto de pronto então concebeu o terror concebido dos seus lábios para depois submergir naquela máxima que enlanguesce em mananciais de inspiração pura e finalmente imbuído daquele sentimento das alturas por assim dizer exclamou:
Pertence-te!
E ao sol emergiu num dourado que tinha de tudo e declamou arguto:
Delicada razão
Essa que te assiste
E da tua graça
Em verdade estas palavras
Não podem deixar
De sentir a comoção
Na violácea fronte
Qual rasgo pela montanha
Abaixo naquela voz antiga
Que de ternura
Encanta e vem repousar
Nos cabelos ao amanhecer
Tardio que invade
Os lassos membros
Das fragrâncias da magnólia.
Dito isto sentiu imediatamente a melancolia da cotovia que a si chamava a beleza da paisagem e numa palavra de delicado sentimento (que nunca esquecera) e também não desprovido de uma certa elegância singelou num suspiro o pensamento interior que derramado em essência entoou assim na montanha:
A cotovia não para nas ramadas da ramagem!
E do arbóreo odor em volta se assegurou o olhar por momentos e dormiu um sono bom enquanto em volta o silêncio permanecia nos embevecidos lábios qual antigo cetim que tingido de terra então lhe ocorrera outro dia:
De prosaicas melodias palpita a madrugada em face da maravilha! - Rejubilou consigo.
Reconsiderou depois de imediato aquela determinada passagem de uma íntima canção que em celebração da flor (aquando do primeiro momento) em prazer despontara naquele obscuro recanto e em frémito percorrera o distante e burlesco sentir naquela difusa língua do sentimento e da ligeira emoção.
Tempo. Fria manhã depois. Um frenesim de sinais na paisagem.
Languidamente estendeu-se na sonora composição da pele e do rosto e nas mãos chegou por fim (qual espelho do momento) àquela indistinta forma estranho e compassado
De verde olhar de nome aceso
Pois finalmente lembrara aquela melodia baixo e silencioso (como que adormecido) de imagem que no corpo em rubra carne se faz ao despertar do sangue uma vez estival do esplendoroso ornamento e lho canto em fragrante sinal do tempo incolor agora.
20 de dezembro de 2017
19 de dezembro de 2017
15 de dezembro de 2017
13 de dezembro de 2017
7 de dezembro de 2017
O diapasão.
O diapasão, instrumento de sopro, denota da forma o que esta tem de exagero, de muito. De enciclopédico, ostensivo. Pelo menos em certos momentos de espólio, por assim dizer, ou antecipados.
Qual trono de uma certa majestade a saber, de tal figura, que por demais inclinada à substância sorri, defronte ao amanhecer, num subterfúgio distante entre o relance e a mercadoria continuaria a bom tempo essa e palpitante interior do considerar, desde essa origem fica, o diapasão instrumento antigo, silenciosamente a discorrer os ousados momentos, qual palavra oportuna daquilo que emerge e constantemente em tudo igual diapasão, das sonoridades elípticas, da substância, do corte, do maravilhoso, inolvidável, estar.
Totalmente recanto recomenda então da penumbra o liminar de uma observação que, qual crisântemo de existência, provérbio na carne, lentamente afirma a tragédia e os condimentados massacres, as antiquíssimas maneiras que do além derramam aquele habitual dispor de uma ocasião que aparenta, por vezes, o labor de uma linha distante, a interrogação no antigo local das falas, e desde então que insiste, e o hábito, dos continuados passeios, e ali mesmo sucede, e junto ao acontecer, desperto então, se tranquiliza e escuta.
Desde lento calor se esvai na carne o diapasão instrumento etéreo de vocação primeiro, do ocluso fazer se faz falta e então, retira aos umbrais da vigília, consome e fica, as memórias do dia passado, e dessas melancólicas num silêncio antigo chega, a uma aprendizagem da figura, das suas múltiplas provações.
Exacerbado ressoa numa qualquer posição do outro os ideais da variação plástica, qualquer espelho dessa nova condição, e acumula este ao acerto de uma antiga textura, em tempo considerada, que dispõe por presença e domínio das paixões, agora urgentes, e recita, o ensino das rosáceas, das fulgurantes guirlandas.
Chega assim ao enganador momento do tempo ligeiro, e num agora cor em multidão percorre, suavemente, a presença de uma luminosidade absurda que lhe perpassa ao caminho, inteiramente interior diga-se, e quase sarcófago , passa então da razão e vem, muito discretamente, encantar o asfalto em substâncias de contemplação e récita e por assim dizer naquela linha da recordação que se refreasse na carne a fronteira pouco mais deixaria do que aquela ténue impressão de consente e ponderoso, facto que, intencionalmente e naquela posição, não chegaria portanto ao modulado que a recebesse, e então, nesse ponto breve, por mais usual que se diga, degrau se sentiria, e era elementar se tratasse um gesto.
Por momentos parte e quase que tocaria o quanto ao tempo que da recordação variada submerge em depois por meio de alguns movimentos enérgicos, volta enfim, daquela sonhada margem, e o olhar diz, numa ínfima aproximação de diapasão demorado: que a nomenclatura dos povos tem feito o seu percurso, até aqui, em função de alimento, e de posteridade também.
Chega-nos portanto esse gesto e literalmente como que numa afirmação quase descuidada que traz em si muito daquele modo singelo e quase aleatório de situar-se ao centro da alegoria, algo que normalmente se concede às ocasionais cabeças no recanto dos minerais em pedra, a devolver a outra face, defronte ao oculto dessa característica, e num espanto e rubor elevados, sobrevém mais especificamente a forma dos cabelos e da testa em vazio que invalida de substância os subentendidos, qual noutro aparte o ferro, daquela intima tez que nos rostos surge qual causa dos efeitos e decididamente a tempo e em companhia dessa característica excitação, nesses dias, encontrara de qual fonte a certeza daquilo que revela a outra maneira da fruta e da vermelhidão, e em tácito contraponto ao silêncio, e no intervalo, rompe então em silêncio, e nesse mesmo momento para de simples prazer, de elegância plástica, e acende em harmonia, obviamente devagar, e acerca-se, assim desperto, ao que dali sobreleva do caso, com muita imaginação e beleza.
O que tinha a mais de sono assim vos quer que assimila o odor esfuziante, aparente esse nome o dizia, e do quanto imagináveis azuis, e mesmo de qual sorte, em íntima curiosidade satisfaz, naquele dístico, que a bom dizer faz ao nível dos candeeiros e num interlúdio seco os variados formais já então numa imensa pilha, junto ao afazer dispõe, então, dos cotovelos acima, do conhecimento, das graciosas maneiras, e sai a cantarolar o delicado instrumento improviso que ao final da tarde, e entre outras operações de adivinhação, escutaria o cântico final dos pássaros, de uma maneira geral, e que já agora, e a propósito daquilo que se diz do declínio dos mamíferos, em algumas regiões meridionais, por vias culturais do primeiro, e do segundo, em mundo civilizado lamentaria.
Aqui numa interjeição
De dor - ai – da lúdica condição
Do encanto em porquê
Das trevas porém fecundas -
E o diapasão, eterno diapasão.
5 de dezembro de 2017
27 de novembro de 2017
Não digais pois de gostar
Da noite ou qualquer coisa
Um ponto de vista
Em absoluto a espera
Uma hora por exemplo
Ou então que se tire
Algo de positivo por assim dizer
Nesta vida mais de cada um
Para dar e o lugar
Para dizer isso e diz-se
E depois estranho na verdade.
Que estranhamente teria.
E numa face não diz nada
Disto e daquilo
Entre tal gesto ou palavra
Defronte ao sol
O meio-dia não mais parou.
De não querer nascer
Nada nisso em figura
O recebe e não tome por estranho
Nas palavras que passam
Feitas lhe baste
O ar dali fosse em surdina
Espoliar esse sentir
De origem na palavra estranho.
O silêncio em volta lhe chega.
22 de novembro de 2017
17 de novembro de 2017
13 de novembro de 2017
Da repetição (ao predicar) enquanto assinatura.
Máscara de intenção difusa ao prolífero retiro em propagação.
Uma estranha vigília completa o acto em palavra ao fazer falar a palavra ainda antes da ideia.
E (quase) que surge esta encostada à palavra.
Num processo de descrição do pensamento (que não da ideia) em que fica sugestão de palavra.
De palavra em pensamento do pensamento sim.
E (por assim dizer) faz-se vida e ressalta do choque entre o pensamento e um pensamento que é palavra.
Qual deliquescer dos elementos em desfaçatez de informais.
Conceito deste mundo.
Que numa passagem de pronto a referência põe termo à ideia que (quase) fica em referente e sentido.
E o tédio que daí se adivinha é o iniciar da escrita.
10 de novembro de 2017
8 de novembro de 2017
Um certo ajustamento a uma superfície de pedra.
O mesmo da impressão
Detalhado na pedra
Em instrumental denota
O retroceder da imagem
Na expressão de dor
E exaltação no encanto
De um pequeno instante
Ou detalhe:
Que interiormente purificado da passagem das circunstâncias figura dos elementos e nem sequer aparece enquanto matéria impressionada.
7 de novembro de 2017
2 de novembro de 2017
O hipocampo da fanfarra
Obscurecido da própria voz
Em si da memória dos tecidos
Os rastos daí se figuram
No hipocampo da fanfarra.
E potencialmente proclama a contraluz de um instante que ao cumprir da sugestão no papel segundo do atrito faz a espécie da reparação ou do inventário. Diz portanto que não é mais do que um pequeno incentivo, natural reprodução, fundamentado desse modo na imagem da cenoura.
Diz portanto que é uma cenoura, não a cenoura em si obviamente, mas a imagem dela.
Começa portanto por ser uma escolha alimentar, sendo que o seu fundamento seria, neste sentido, essa necessidade alimentar que evoluíra no sentido do ritual, ritual este, em verdade, onde não se pode falar quer de sobrevivência quer de necessidade. Esta ‘necessidade estrutural’ levantaria questões, não só em número, quanto em qualidade e fortificação, ler frutificação da espécie nesse sentimento. Pois toda a sensualidade -as romance- é coito da natureza humana e é, neste sentido, uma encenação, ou mais propriamente a matriz de todas as encenações, qual ritual molecular de sublimação por assim dizer, e não será portanto por acaso que esta (necessidade refinada em possibilidade) se deseja em primeira instância da divindade, como noutros lugares e géneros literários aliás.
E como em tudo o bem maior
Em paradoxal do interstício desponta
Naquela semente fecunda
Que em elementar do alimento
Percorre todo um estado de alimentação
E no percurso desse alimento
Entre torna e tende
A ambos termos
Na robustez dessa contenda
E das ideias simples
Que num efeito de retenção cristalizam
O apetite em imagem
Por meio de um levantamento de segunda ordem
Que tudo preenche
Em primevo da matéria
Forma de sugestão ou sementeira
Parte para a frente da fome e dos ossos
Pelos montes purificados
E digere em boa ordem
Pois o que conta é a digestão das coisas.
E feito por fim do aparente principio das coisas, num denodar que proporciona o completo estiramento das fibras, a todo o comprimento e respiração, junta em cordas de matéria, a mesma refeita, pronta e limpa, matéria.
Quais modalidades do nó ou do nervo, em termos de precisão.
30 de outubro de 2017
Dize que partira
Da palavra o inolvidável
Vento tinha qualquer coisa
Do momento
Que agora recitas:
Era uma vez nas bocas
Outrora a manhã
Chamava contigo a linguagem
Oh aparência de ideia
Que nos eflúvios de acaso
Rumas ao cada cimo
Do frutífero lugar
Em casca de carmesim
Na festiva posição do amor
E daí palpitante
Frutificas na terra
Tocada do odorífero das violetas
Onde anoiteces de delicadeza
E coisas de ti
Oh beleza, colheita ao redor delas.
26 de outubro de 2017
25 de outubro de 2017
O transporte.
Posto por sombra
Aberto a uma luz suspende
Os ecos da suficiência
Duplicado em matinal da forma
Num segundo em reflexo
De agora que trespassa
Os amanhãs do mais-que-perfeito
Sentido, e a cada descida.
Num efeito daquela presença que a cada idade atinge os cânticos das coisas que são da terra e recomeça então dos antigos amontoados por indecifrados momentos que cantam as informadas árias do vazio nas aglutinadas cinzas.
E isto a ponto de uma cegueira que lentamente assenta o sincopar dos corpos inclusos naquela espécie que traz consigo o distante em forma de vento.
18 de outubro de 2017
Particular do instante.
Como escutar o verbo
No oculto círculo dos sorrisos
Em contígua circular
Das letras ao cimo da ventania.
E o soar das mãos
No pouco sombrio da febre
A baixa voz
Num reflexo de jazigo.
Veja-se pois o exemplo
Da língua nosso bem genético
Que fragmentado em grande efeito
Reposta a natureza
Num crescendo de intelecção
Dirigido ao celestial do consenso
Celestial na realidade
Se faz do sentir
Das coisas de outrora
E do bom tempo passado.
16 de outubro de 2017
9 de outubro de 2017
Conta-se que um dia o suceder das falas se adornou de ideia na espelhada imagem que justamente dobrada saiu ao fantástico caminho do magma a fazer-se outro da recordação do olhar que ao atingir da hora num marulhar da vontade lhe ocorreu a dois por qualquer coisa do fogo e entrou então no recinto em ato que continuou para em queda se agarrar no digesto que vira adormecida a palpitar dos lábios consagrados que cantam cantou ‘será nuvem será este’ numa metamorfose da maior exigência.
Bom, talvez não seja de supor nessa mesma imagem.
Mas paradoxalmente essa dicção possibilitou-lhe o derradeiro desate da prática de um certo mundo que hoje em dia permanece em silêncio que seja repartido na processão do nosso verbo ao modo evasivo que se espera do sonho.
4 de outubro de 2017
Claro que não, claro que não.
O que faz-se, marca-se mesmo.
Concede este gesto a representação, e ainda a tempo, dos séculos residuais, das desgarradas histórias, dos desmembrados corpos esquecidos.
A partilha.
Nas silenciosas catacumbas jazem as jorradas gargantas na pedra que murmuradas em volta aos corpos soltam-se nas celebradas palavras de sangue e numa imagem que a voz sustenta em solenes e soletrados segredos das memórias dos reminiscentes despojos que ao longo das falésias e das escarpas ficam empilhados em piras de prata terrena nos desolados recantos.
Outras terras e o maior dos cilícios silêncios num ostracizado estertor das sombras e das coisas voláteis.
Hostes do rugir voraz
Nas ossadas ocas vigilantes
Pálpebras e semelhantes fronteiras
No lamento da primeira
Distância aos rapsódicos termos
Do falar demos do lugar
Por grotescos e multiformes traçados
A tez das continuadas fontes
Em promessas de sentido e gestos
De trabalho nos reflexos
Solos cintilados a fundamentais
De imagem e ignições dos tristes minutos.
Sincopados corporais de artifício ascendem como que insinuados ao estranho lugar em esboços de passado e presente que abertos numa palavra aos multifacetados instantes da representação do fogo e de uma esfera mais vasta representam as iniciais incessantes e inertes rajadas dos assinalados silêncios nos breves minutos do acontecer reflexo da locação que fica o antigo nas palavras e maquinalmente o mar-cego de outrora escritas ao fluir de um vento em filamentos sonoros.
Outro verbo o nome envoltos do saciar alado a cada fugaz do regulado canto embutido e dissipado na rebentação das terras e da miragem numa magnética indução do induzido que agrega dessa cisão as distintas magentas do traço por assinalada falha numa qualidade.
Condição de origem
Dos materiais movimentos
Nas acabadas palavras
Dos exaustos ciclos
Esventrados e verbais.
Como replicantemente a parte pelo todo em busca da frase perdida o modular tom dos corpos ao momento inicial numa ideia que por suscitado verso chegam em composição junto ao próprio tema intuitivamente efeito que cruza as maneiras do inicial instante e das formas e dos nomes que escapam de uma anterior existência e uns instantes mais.
E depois o entrar na origem a um tempo rasga de identidade o termo das estações e os alternados temores no espaço da criação dos territórios em cópula noção do face a face e original raiz da semente que chega aos corpos em estado febril e a meio da distância faz o essencial da satisfação.
Na força de um cintilar
A duas mãos da espécie
Por seminal ideia
Ao fundo obsceno do grito
E destes todos ideia.
Que na linguagem por fim se revelam em causa e efeito ao entardecer dos panoramas:
Infinitos como as ondas
Marcam então o olhar fascinado
E perplexo ao percorrer dos cromáticos
Processos da metáfora
Em lúdica marcha de cadências
Pontuais de vontade.
Que de branco se revestem
No vulgar da ocorrência
Em lastro nos interstícios
De um cristal violeta
E todas as terras em estado de grito –
E ventos de vertigem
De temperatura ideal.
De um processual das unidades da composição composta e daqui dizer a ocasião e o quão solenemente das fundações numa língua e de per se.
3 de outubro de 2017
Certo dia já lá vão uns anos estava eu sossegado e num local público a beber um café quando autenticamente do nada uma mulher lindíssima de vestido vermelho justo e sobriamente ousado era verão se aproximou de surpresa e disse:
Então, tudo bem?
Olhei-a surpreso e demoradamente era lindíssima e apesar de ter a certeza de não a conhecer lembrar-me-ia lá fui respondendo:
Sim, tudo bem, mas
Disse eu marcando bem as pausas numa tentativa vã de parecer casual, sofisticado.
Não me vais dizer que não te lembras de mim pois não?
Atirou-me a mulher lindíssima num tom jovial de sorriso aberto e franco que imediatamente desarmou a minha máscara digna e hesitei e tentei disfarçar a crescente impressão não muito acentuada de intranquilidade pois diga-se eu tinha a certeza de não conhecer aquela mulher lindíssima pois que até pelo próprio facto me lembraria dela como já disse mas por outro lado e não mentia ao pensá-lo na realidade fazia-me lembrar algo de muito vago e impreciso e no entanto familiar respondi então:
Bom, realmente, mas não, não estou a ver
Ora, sou eu.
Disse ao mesmo tempo que me dava uma cotovelada cúmplice e confesso que estava cada vez mais intrigado mas como não queria transparecê-lo o que fiz foi acender um cigarro em gestos pausados profundos e levemente meditativos como se estivesse num filme a representar um papel confiante e sofisticado e levemente e deixei passar alguns segundos marcados de um silêncio confiante e enigmático e respondi:
Eu?
A mulher lindíssima não se impressionou rigorosamente nada com a minha arte e de imediato respondeu:
Sim, eu, não precisas de fazer essas cenas, sou eu.
Mal tinha terminado de afirmar estas perturbadoras palavras deu-me uma palmada nas costas mas não daquele género de palmada que os gajos costumam dar quando estão inseguros ou com pressa mas sim uma palmada honesta nas costas e foi aí que comecei a sentir a minha dignidade seriamente ameaçada e afinal de contas até estava num local público e embora as pessoas não tivessem dado mostras de ter notado aquela familiaridade tão efusiva e eu também não tivesse reparado na reacção delas o que é facto é que reagi de uma forma um tanto ou quanto ríspida no limar do inusitado:
Olha lá, disse eu, mas por acaso andei contigo na escola, ou assim?
A mulher lindíssima nem pestanejou e de sorriso directo redarguiu:
Claro. Na escola de manhã, e à tarde à noite, ruelas e avenidas, casas brancas, povoadas de sabor, e a natureza também, brincadeiras.
Dito isto piscou-me o olho esquerdo lindíssimo e deu-me outra cotovelada desta vez mais carinhosa digamos cúmplice e fiquei como que estupefacto sem o estar pois embora por um lado as palavras que esta mulher lindíssima proferira me despertassem algumas imagens por outro despertariam em qualquer pessoa supunha mas a crescente familiaridade e confiança dela começavam a deixar-me desarmado e ela por seu turno talvez notando um indício de confusão em mim continuou:
E as cores vivas, os vermelhos, verdes luxuriantes, e azuis ultramarinos.
Entrevi então quase imediatamente a oportunidade de inverter a tendência quase humilhante do diálogo no instante e expressei-me num diletante ligeiro apertar dos lábios e linhas horizontais de testa:
Hm, estou a ver, e disse pausado, qual gauguin polinésio, ou um kandinski enquanto besta?
A mulher lindíssima nem me deixou continuar e atalhou como que repreendendo-me.
Ora, deixa-te lá dessas merdas que só te ficam é mal e ouve: os momentos desacelerados ao mais ínfimo da composição, as auras nocturnas, numa acutilante atenção, das matérias esvanecidas.
Cala-te, exclamei quase assustado.
De facto era demais e já no limiar do frenesim tentei reflectir em mim o que tais tão esotéricas revelações dispostas perante os meus ouvidos olhos e corpo todo significariam e quem era esta mulher lindíssima e o que a tinha ali trazido e enquanto desta maneira cogitava já quase completamente deposto ela recuou dois passos sempre a olhar-me e a sorrir e terna porém altiva levou a mão ao peito lindíssimo e exclamou:
Uh-Há!
Após a qual exclamação desapareceu como tinha aparecido, misteriosamente.
Fiquei para morrer ou talvez não tanto assim mas fiquei com certeza completamente despojado e não sei quantos mais minutos segundos fiquei para ali naquele local público a reflectir intensamente na significação de tão misterioso episódio o que era indubitável era que primeiro toda a minha distensa pose se tinha eclipsado num segundo e segundo que tinha efectivamente ficado num estado positivamente quase lastimável mas agarrei-me no entanto ou fiz por isso e acendi um cigarro de olhos fitos no horizonte possível daquele espaço público limitado e cheguei então rapidamente à única conclusão lógica e racional possível.
Disse comigo:
Obviamente esta mulher lindíssima de vestido vermelho justo e sobriamente ousado é verão que tão drasticamente neste meio-dia destruiu os meus frágeis alicerces e derrubou-me do periclitante pedestal era o Al Pacino disfarçado de mulher lindíssima etc. mas o que me escapa é a razão pela qual o Al Pacino assim se apresentou ao meio-dia neste local público disfarçado de mulher lindíssima para abalar desta maneira tão radical todas as minhas convicções até aqui adquiridas.
Já passaram muitos anos desde esse singular encontro e a vida bem ou mal continuou os seus turnos mas ainda hoje quando a noite é fria e o tempo lá fora ruge e aterra eu pergunto-me a mim mesmo qual a profunda mensagem que quereria transmitir-me o Al Pacino naquele meio-dia disfarçado de mulher lindíssima de vestido vermelho e justo e sobriamente ousado que era verão .
Então, tudo bem?
Olhei-a surpreso e demoradamente era lindíssima e apesar de ter a certeza de não a conhecer lembrar-me-ia lá fui respondendo:
Sim, tudo bem, mas
Disse eu marcando bem as pausas numa tentativa vã de parecer casual, sofisticado.
Não me vais dizer que não te lembras de mim pois não?
Atirou-me a mulher lindíssima num tom jovial de sorriso aberto e franco que imediatamente desarmou a minha máscara digna e hesitei e tentei disfarçar a crescente impressão não muito acentuada de intranquilidade pois diga-se eu tinha a certeza de não conhecer aquela mulher lindíssima pois que até pelo próprio facto me lembraria dela como já disse mas por outro lado e não mentia ao pensá-lo na realidade fazia-me lembrar algo de muito vago e impreciso e no entanto familiar respondi então:
Bom, realmente, mas não, não estou a ver
Ora, sou eu.
Disse ao mesmo tempo que me dava uma cotovelada cúmplice e confesso que estava cada vez mais intrigado mas como não queria transparecê-lo o que fiz foi acender um cigarro em gestos pausados profundos e levemente meditativos como se estivesse num filme a representar um papel confiante e sofisticado e levemente e deixei passar alguns segundos marcados de um silêncio confiante e enigmático e respondi:
Eu?
A mulher lindíssima não se impressionou rigorosamente nada com a minha arte e de imediato respondeu:
Sim, eu, não precisas de fazer essas cenas, sou eu.
Mal tinha terminado de afirmar estas perturbadoras palavras deu-me uma palmada nas costas mas não daquele género de palmada que os gajos costumam dar quando estão inseguros ou com pressa mas sim uma palmada honesta nas costas e foi aí que comecei a sentir a minha dignidade seriamente ameaçada e afinal de contas até estava num local público e embora as pessoas não tivessem dado mostras de ter notado aquela familiaridade tão efusiva e eu também não tivesse reparado na reacção delas o que é facto é que reagi de uma forma um tanto ou quanto ríspida no limar do inusitado:
Olha lá, disse eu, mas por acaso andei contigo na escola, ou assim?
A mulher lindíssima nem pestanejou e de sorriso directo redarguiu:
Claro. Na escola de manhã, e à tarde à noite, ruelas e avenidas, casas brancas, povoadas de sabor, e a natureza também, brincadeiras.
Dito isto piscou-me o olho esquerdo lindíssimo e deu-me outra cotovelada desta vez mais carinhosa digamos cúmplice e fiquei como que estupefacto sem o estar pois embora por um lado as palavras que esta mulher lindíssima proferira me despertassem algumas imagens por outro despertariam em qualquer pessoa supunha mas a crescente familiaridade e confiança dela começavam a deixar-me desarmado e ela por seu turno talvez notando um indício de confusão em mim continuou:
E as cores vivas, os vermelhos, verdes luxuriantes, e azuis ultramarinos.
Entrevi então quase imediatamente a oportunidade de inverter a tendência quase humilhante do diálogo no instante e expressei-me num diletante ligeiro apertar dos lábios e linhas horizontais de testa:
Hm, estou a ver, e disse pausado, qual gauguin polinésio, ou um kandinski enquanto besta?
A mulher lindíssima nem me deixou continuar e atalhou como que repreendendo-me.
Ora, deixa-te lá dessas merdas que só te ficam é mal e ouve: os momentos desacelerados ao mais ínfimo da composição, as auras nocturnas, numa acutilante atenção, das matérias esvanecidas.
Cala-te, exclamei quase assustado.
De facto era demais e já no limiar do frenesim tentei reflectir em mim o que tais tão esotéricas revelações dispostas perante os meus ouvidos olhos e corpo todo significariam e quem era esta mulher lindíssima e o que a tinha ali trazido e enquanto desta maneira cogitava já quase completamente deposto ela recuou dois passos sempre a olhar-me e a sorrir e terna porém altiva levou a mão ao peito lindíssimo e exclamou:
Uh-Há!
Após a qual exclamação desapareceu como tinha aparecido, misteriosamente.
Fiquei para morrer ou talvez não tanto assim mas fiquei com certeza completamente despojado e não sei quantos mais minutos segundos fiquei para ali naquele local público a reflectir intensamente na significação de tão misterioso episódio o que era indubitável era que primeiro toda a minha distensa pose se tinha eclipsado num segundo e segundo que tinha efectivamente ficado num estado positivamente quase lastimável mas agarrei-me no entanto ou fiz por isso e acendi um cigarro de olhos fitos no horizonte possível daquele espaço público limitado e cheguei então rapidamente à única conclusão lógica e racional possível.
Disse comigo:
Obviamente esta mulher lindíssima de vestido vermelho justo e sobriamente ousado é verão que tão drasticamente neste meio-dia destruiu os meus frágeis alicerces e derrubou-me do periclitante pedestal era o Al Pacino disfarçado de mulher lindíssima etc. mas o que me escapa é a razão pela qual o Al Pacino assim se apresentou ao meio-dia neste local público disfarçado de mulher lindíssima para abalar desta maneira tão radical todas as minhas convicções até aqui adquiridas.
Já passaram muitos anos desde esse singular encontro e a vida bem ou mal continuou os seus turnos mas ainda hoje quando a noite é fria e o tempo lá fora ruge e aterra eu pergunto-me a mim mesmo qual a profunda mensagem que quereria transmitir-me o Al Pacino naquele meio-dia disfarçado de mulher lindíssima de vestido vermelho e justo e sobriamente ousado que era verão .
2 de outubro de 2017
Dizer:
A visão das ilhas
Longínquas dos arquipélagos
Siderais em passeio
Nas avenidas castas de madeira
Velha e maresia
Em sazonais quanto baste.
Das itinerantes memórias dos animais ao mais ínfimo da continuada rotina do dia-a-dia num mais puro e simples do ascetismo empírico e natural e espontâneo pois apesar de tudo será uma boa páscoa interiorizada em quanta cor ou na ausência dela e mais propriamente na próxima visão da primavera mais profunda que fica adiada pois choverá de novo para uma temperatura mais subsequente não tendo o hábito de consultar os registos o que por si já é bastante agradável.
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