6 de outubro de 2012
Poderia aspergir todo um elenco. Um preparado de alienação.
O imenso caudal das microscópicas imagens que fluísse as vias corporais do engenho.
E da arte. Corresse a ilusão e tudo recomeçasse.
Pois pode ser o que dizia-se da imagem da adoração.
Perto instante a que não chegassem palavras para fazer em nós pedaços dele.
Furiosas marés revoltas.
Tomai-me em paz.
No convém.
Do agradecer embevecido.
E reverente mente.
Retirado em face desse “dom”.
5 de outubro de 2012
Sombras irrompem das antigas imagens manifestas à luz presente.
Ares do destino, diz-se.
Chega-se o fim no revelar das imagens escondidas.
Ecos de selvajaria, a progenitura do sacrifício.
A imensa história dos círculos da silenciosa brutalidade.
Cegas manobras. O sangue perdido.
O deslizar na distribuição das palavras
Ao sabor das fúteis edificações da memória do paradoxo vivo.
Últimas tábuas da inscrição.
Os altares da mais ancestral violência.
Os antigos gritos.
2 de outubro de 2012
De parietal exposto à borrasca latente.
Sucedem os primeiros sons à confusão do raiar.
Branco. Como ultimato carenciado.
Num tempo que já não conta.
Em moldura envelhecida das infâncias.
Séculos de areia. Poros de barro.
As petrificadas sentenças nos ombros, suavemente.
São como fósseis listados dos séculos a mais.
Num passo firme que é nunca chegar.
Às palavras de todas as vidas que suponham-se assim.
26 de setembro de 2012
Regressado ao matinal resfolegar das ocasiões passadas.
Aos envios do olhar mirabolante.
Luto por compensar o vazio fundo das pedras e castelos.
O que ainda me diz um fio de matéria,
Se matéria me diz o peso e a forma, massa radical dos incêndios.
É que quisera-se assim o caminho em cordões de sangue pesado.
Derramado ao acaso das horas, dos olhares.
Como o fulminante regresso ou um mesmo caminho irreal.
Efeito abissal das fontes tão do alcance (em fim) que lhe tomasse o gosto.
Na usurpação dos corpos. Semelhante. O que irá dizer.
Agora que se incendeia os olhos lavado em fogo um corpo invisível.
O que irá dizer então.
Do que anunciam as inacessíveis montanhas desse lado em que se vê
O vago lembrar das vidas passadas, terríveis.
Fazeis rir as pedras, chorar as fontes, adormecer as donzelas.
Burilados. Demenciais.
Um último estertor dos açougues.
Tal era a impressão.
Das (intencionais) palavras e silêncios.
(Onde faz-se vida duma antiga experiência da leitura do olhar).
Nos planos de vida.
Num certo fogo particular. Celular.
Que faz do princípio rasgado ao iniciar dos possíveis.
Um atribuir no fundo.
14 de junho de 2012
Diz-se, com sensatez, que quando termina o combustível fica o mistério da pedra verde, oculta em recanto invisível, não discernível.
Insensatamente diga-se em brutal que não vai mesmo valer a quem quer pois essa é a profissão das palavras, dúplicas de intenção.
O seu contraponto é silêncio, verdadeira palavra … e o que fez o alexandre ó górdio?
Insensatamente diga-se em brutal que não vai mesmo valer a quem quer pois essa é a profissão das palavras, dúplicas de intenção.
O seu contraponto é silêncio, verdadeira palavra … e o que fez o alexandre ó górdio?
13 de junho de 2012
Quem fala entre a sinfonia e o silêncio o estar do compassivo tempo nas hostes donde o abandonado escrito na rocha diz o outro em corporal metafórica que dá-se à maioridade exposto e revela a original tipografia impressa em sono num barco quente.
Urge o que não foi feito em frutas vizinhas.
A concórdia dos povos.
A nota em redor do solo encharcado.
Um pouco mais acima, nas falésias, os arquétipos da solução encantada.
Como rios a cair do monte em rasto de espuma.
Trazem uma altivez no olhar ou um madrugar de quem vê.
Delirante como um progredir da história.
Ao lugar da urgência do sul, cultivo que chegue.
Urge o que não foi feito em frutas vizinhas.
A concórdia dos povos.
A nota em redor do solo encharcado.
Um pouco mais acima, nas falésias, os arquétipos da solução encantada.
Como rios a cair do monte em rasto de espuma.
Trazem uma altivez no olhar ou um madrugar de quem vê.
Delirante como um progredir da história.
Ao lugar da urgência do sul, cultivo que chegue.
9 de junho de 2012
Que fazer é uma expressão repetida em anterior estado de eclipse.
Nos olhos como sequer calafrio distante.
Qual demente ou cadeira sois, respiração garrotar que se aperta.
Submersa ventilação do desafio retórico.
Compassos e simetrias, as liquidações do costume.
O cintilar penumbra outro mesmo ao voltear da violência, quotidiano.
Numa abertura silvestre em sintonias violinas.
Que faz concepção sinal da conjunção dos ânimos.
Num apelo às marés onde calam-se as mãos em certa cor.
Nos olhos como sequer calafrio distante.
Qual demente ou cadeira sois, respiração garrotar que se aperta.
Submersa ventilação do desafio retórico.
Compassos e simetrias, as liquidações do costume.
O cintilar penumbra outro mesmo ao voltear da violência, quotidiano.
Numa abertura silvestre em sintonias violinas.
Que faz concepção sinal da conjunção dos ânimos.
Num apelo às marés onde calam-se as mãos em certa cor.
Outro ficara na praia, deserto. O horizonte aqui surdo se apaga e gasta a divindade antes que saia a fala e me deixe levar na condição das ondas. Sem querer saber o não sei. Deixado ao vibrante horror dos corpos rasurados. Na ilusão dum exercício respiratório. A manhã, ao ar do momento calamitoso, pois não é sensato escrevê-lo, considera o acto nas tomadas de assombramento.
8 de junho de 2012
Já passou tempo e agora o início corrobora em contraponto o acto. Nunca é tarde apenas vivo o seu corpo era a questão de vez ficado atrás de cada rosto. Num chão de existência que passa a razão dividida da prece humana ao necessitar cultural que é. Esforçado modo em circular saber pois também não é por aqui que nunca. Regresso a um quadro pregado a tinta viva ao fundo de uma qualquer parede espessa.
Esfera. Botão. Azulejos postos brilhantes. O alinhamento dos astros ou do que quer que seja. Para lá do possível fragor das ondas lentamente a bruma. Chamada à última da hora ao quarto raiz das bestas em crispação visível. Faz os últimos universais retoques ao cabo da voz aprendiz da fala que o levasse. Nas horas da ciclicamente luarte a sombra ao aparecer do contrário em função e até que feito.
Não foi mais o que fez séquito em floral tão mal florido.
Achou. No mesmo ideal admito-te.
Tocado da fundição e ao largo da misericórdia toda.
Um traço de ossatura vibrante.
Uma expressiva ostensão de qualquer coisa.
Seja ela mão, pés, ou os líquidos cristais dos olhos.
Coma sóbria deusa donde cala-me o enfarte ou não respondo.
Pois embora não esteja adivinha-me.
O labiríntico esqueleto entretanto em convulsão genética.
Graça multiforme em vista da cabeça.
E num rápido matraquear das ondas em repasto.
Achou. No mesmo ideal admito-te.
Tocado da fundição e ao largo da misericórdia toda.
Um traço de ossatura vibrante.
Uma expressiva ostensão de qualquer coisa.
Seja ela mão, pés, ou os líquidos cristais dos olhos.
Coma sóbria deusa donde cala-me o enfarte ou não respondo.
Pois embora não esteja adivinha-me.
O labiríntico esqueleto entretanto em convulsão genética.
Graça multiforme em vista da cabeça.
E num rápido matraquear das ondas em repasto.
7 de junho de 2012
Forte o sol fustiga na face o que não sente.
Nalgo que vive ao rasto indiferente.
Da líquida perspectiva de um almoço aromático, vibrante.
Saia por favor, sensibiliza-me e tenho a fazer coisas.
Pois agora, que o outro não cessa de chamar isso.
Tive uma ideia elevada meu deus.
Vivificante e natural ao alto a insanidade.
Em matéria dos antigos o próprio da panaceia.
Nalgo que vive ao rasto indiferente.
Da líquida perspectiva de um almoço aromático, vibrante.
Saia por favor, sensibiliza-me e tenho a fazer coisas.
Pois agora, que o outro não cessa de chamar isso.
Tive uma ideia elevada meu deus.
Vivificante e natural ao alto a insanidade.
Em matéria dos antigos o próprio da panaceia.
6 de junho de 2012
Silfos.
Clama eu.
Que não ouço.
A pele.
Às horas do dia.
Iguais.
Da marcação.
Decerto que deve ser nele um pouco como adiado cadáver.
Difícil diz-se, acima a calmaria em circular matinal da rapsódia.
Falada às mesas dos cabides. Nas caldeiras frutificadas.
Doa-me a voz aqui das doutrinas conjuntas, pois cheguei, incólume, ao mais que simples, fundamento do mercado, correspondente.
Clama eu.
Que não ouço.
A pele.
Às horas do dia.
Iguais.
Da marcação.
Decerto que deve ser nele um pouco como adiado cadáver.
Difícil diz-se, acima a calmaria em circular matinal da rapsódia.
Falada às mesas dos cabides. Nas caldeiras frutificadas.
Doa-me a voz aqui das doutrinas conjuntas, pois cheguei, incólume, ao mais que simples, fundamento do mercado, correspondente.
Finalizado o fenómeno da levitação.
Deslizam murmúrios e palavras.
E solta o regresso tão pouco heróico que desde ontem que se escuta pá.
Virtude sem sentido.
Interna perspectiva linear.
Absoluto silêncio.
Debaixo do mesmo sol.
Humilde sorriso que não compadece à chegada.
Todas as comovidas vilas em singular proposição da espécie.
O homem feito à medida subitamente elevado vara.
Sob um céu azul, ó vento que sempre regressas.
Esses sinais que visitam.
Deslizam murmúrios e palavras.
E solta o regresso tão pouco heróico que desde ontem que se escuta pá.
Virtude sem sentido.
Interna perspectiva linear.
Absoluto silêncio.
Debaixo do mesmo sol.
Humilde sorriso que não compadece à chegada.
Todas as comovidas vilas em singular proposição da espécie.
O homem feito à medida subitamente elevado vara.
Sob um céu azul, ó vento que sempre regressas.
Esses sinais que visitam.
4 de junho de 2012
Qual insídia afigura o avançado matiz da cloaca voz ao metal do sacrifício.
Sonho que lá chegado vão esquece e o leve ao lugar longe, repetido.
Acabará como ouvis rebentos da nova estação no acto que importa vida.
Num volteio do aço retorcido em grotesca sombra no rio.
Em ultrajado silêncio que só contém o imperceptível movimento dos ombros.
Aprendizagem dos cínicos ou arte do bem viver, como lhe chamam.
Um passado passou repleto de presença e dádiva enfim.
Que se parta de vez a sombra dos anos no empolgado vazio dos olhos, teus.
E calem-se as vozes pois morre de vez aí.
Agoniada fala do mundo ao terminar da visita longe, depois.
Num certo igual regozijo tomai do convém mais seguro.
A ópera dos cantos fáceis, as outras aberturas da pele.
À luz do canto ido mais vale um dia de dor que a eternidade vazia, como sabe.
Qualquer que seja a ventura tira a daqui depressa, solta.
Sonho que lá chegado vão esquece e o leve ao lugar longe, repetido.
Acabará como ouvis rebentos da nova estação no acto que importa vida.
Num volteio do aço retorcido em grotesca sombra no rio.
Em ultrajado silêncio que só contém o imperceptível movimento dos ombros.
Aprendizagem dos cínicos ou arte do bem viver, como lhe chamam.
Um passado passou repleto de presença e dádiva enfim.
Que se parta de vez a sombra dos anos no empolgado vazio dos olhos, teus.
E calem-se as vozes pois morre de vez aí.
Agoniada fala do mundo ao terminar da visita longe, depois.
Num certo igual regozijo tomai do convém mais seguro.
A ópera dos cantos fáceis, as outras aberturas da pele.
À luz do canto ido mais vale um dia de dor que a eternidade vazia, como sabe.
Qualquer que seja a ventura tira a daqui depressa, solta.
2 de junho de 2012
Não, já nem sequer te toca o véu do sonho.
Quimera através.
Por todo o lado frutificam rostos vazios.
Olhos penetrados. O mesmo.
As palavras fazem breve o quê pois não tornarei tal sentido. Na próxima estação deixarei de crer e talvez acabe em amontoado de cinza. Ou talvez não. Nunca mais vi a quimera ou tão pouco o seu reflexo e vai resistindo a tentação da palavra pois já melhor sabe e é tarde o que faz verdade a tempo. Seja ou não cego o tome o sono em regresso partido por, sim.
Quimera através.
Por todo o lado frutificam rostos vazios.
Olhos penetrados. O mesmo.
As palavras fazem breve o quê pois não tornarei tal sentido. Na próxima estação deixarei de crer e talvez acabe em amontoado de cinza. Ou talvez não. Nunca mais vi a quimera ou tão pouco o seu reflexo e vai resistindo a tentação da palavra pois já melhor sabe e é tarde o que faz verdade a tempo. Seja ou não cego o tome o sono em regresso partido por, sim.
1 de junho de 2012
Desordenado rumo,
ou apenas um caminho,
num indolente mesmo,
e em clara perspectiva,
decidido ao início,
da circunstância natal,
que por menor que não conte,
avista outro ou então,
talvez nem sequer,
suposto seja aqui estar,
pois nem sequer voltarei,
ia pensar, que não deixa
espaço o necessário,
bem o sabia o senhor,
ao deixar o dia distante,
nas águas do rio por terra,
indiferente ao hábito,
em espírito de absolução,
e na muda marca do marcar,
a carne, e o sangue a jorrar.
ou apenas um caminho,
num indolente mesmo,
e em clara perspectiva,
decidido ao início,
da circunstância natal,
que por menor que não conte,
avista outro ou então,
talvez nem sequer,
suposto seja aqui estar,
pois nem sequer voltarei,
ia pensar, que não deixa
espaço o necessário,
bem o sabia o senhor,
ao deixar o dia distante,
nas águas do rio por terra,
indiferente ao hábito,
em espírito de absolução,
e na muda marca do marcar,
a carne, e o sangue a jorrar.
Debruçado ao culto final do lugar.
Disperso em mantos de betão soerguido.
Espero a decisão do vento.
Ouve o que te digo embora seja por mim que to digo.
De quando em vez esqueço o quotidiano da soldadesca.
O grito agónico do miserável de sempre sentenciado à culpa.
Abafado suspiro da circunstância esquecida.
Na poderosa pose que sobe ao nariz alheado assim.
Disperso em mantos de betão soerguido.
Espero a decisão do vento.
Ouve o que te digo embora seja por mim que to digo.
De quando em vez esqueço o quotidiano da soldadesca.
O grito agónico do miserável de sempre sentenciado à culpa.
Abafado suspiro da circunstância esquecida.
Na poderosa pose que sobe ao nariz alheado assim.
30 de maio de 2012
Já põe-se o iniciar da manhã. Tolda o fogo infernal na primeira pessoa. Vá. Verte a voz da ira e deixa o que está feito. Essa química do interesse. Que se parta o raio do mundo e se diga de vez que ainda falta um dia mais. Essa é que é essa. Véu da cor verde à entranhada espera do torpor. Numa incorrecta dicção. E o mesmo a dizer, já agora, das ondulações metafísicas na mesma moral do corpo assim assombrado.
29 de maio de 2012
28 de maio de 2012
São de novo e já se anuncia o olhar de perto aos amontoados térreos da construção. É um risco a tomar, indiferentemente. Existencial espécie de antenas telhadas em natural da cor ruidosa. Sistemática encruzilhada condição singela das sacadas. A piscar, no lugar, um singular, apelo do símbolo. Como o que conta fila é cedo e por tanto talvez tarde de mais de baixo da maior fala que a luz suporta. Altiva queda metafórica prefere ou então senta-te. O que tens feito além doutro distante, intestino da própria, ao passar do facto em criterioso não dito.
26 de maio de 2012
E bem pária o interno intercâmbio da dística palavra do somos assim. Trivialmente apreendido em silêncio. Em perspectiva. Alguém assista, por favor, com uma certa urgência, ao esvoaçado cabelo que passa. Pois esgota o estômago e ao coração vai como um palpitar reflexo que comove um pouco pelo menos. Em aprendizagem de fundo. Num agonístico assim espero da boa intenção que não grato apenas dia. E que nem sequer se coloca. Qual fora local sagrado ou desenho de quê. Bom fruto da veste urbano em facto ao continental dia do parecer cruciforme.
Territórios do sono. Ao sair canto-me informal ou mesmo até quase impossível. Qualquer movimento cá em baixo é que frutifica ou pelo menos assim parece. Cautela com a tangencial ventania pois porquanto a temperatura tenda à subida o dia corre em anormalidade. Como do lazer ao excesso em regozijo nas dunas. Já passou tanto tempo.
23 de maio de 2012
Lança o decomposto particular no tal dito destino.
O corpo não vale mais do que a proximidade que chama-se o vigor aqui.
Deixa o resto à maneira do dia pleno, num passo oportuno, da apressada gente em corrida, quando ao acordar se faz tarde, e se chama a vida cá em baixo.
Estarei talvez errado nesta indiferença mas tolhe-me a meia palavra em especial acesso que contaria mais qualquer coisa nos monólogos travados.
E também por natureza, pois assim não fosse alcançaria o céu que existira aqui.
E esta é uma conclusão do olhar relanceado à povoada beleza dos ciclos miseráveis.
Gesto de todos os dias pois mesmo que insista em qualquer coisa de errado ao certo não faz sentido pá, pois quando me alcança, um sobreviver-me às lógicas mediáticas, não lamento o que agora parece e soa como instinto animal que se não compadece - a bem ou a mal - da força, quanto ao resto estou por demais esclarecido, é fácil não ir por aí, nem faz ora, pois já visitei as conhecidas versões.
O corpo não vale mais do que a proximidade que chama-se o vigor aqui.
Deixa o resto à maneira do dia pleno, num passo oportuno, da apressada gente em corrida, quando ao acordar se faz tarde, e se chama a vida cá em baixo.
Estarei talvez errado nesta indiferença mas tolhe-me a meia palavra em especial acesso que contaria mais qualquer coisa nos monólogos travados.
E também por natureza, pois assim não fosse alcançaria o céu que existira aqui.
E esta é uma conclusão do olhar relanceado à povoada beleza dos ciclos miseráveis.
Gesto de todos os dias pois mesmo que insista em qualquer coisa de errado ao certo não faz sentido pá, pois quando me alcança, um sobreviver-me às lógicas mediáticas, não lamento o que agora parece e soa como instinto animal que se não compadece - a bem ou a mal - da força, quanto ao resto estou por demais esclarecido, é fácil não ir por aí, nem faz ora, pois já visitei as conhecidas versões.
22 de maio de 2012
Diálogo de sombras.
- Propões-te então.
- Está feito, fica o digerir.
- Compreendes então, tens a matéria. Se bem me lembro propunhas-te dois.
- Quando me decidi queres dizer?
- Se assim lhe quiseres chamar.
- Propunha-me realmente dois como dizes, compreendo que é apenas um, único, obviamente com duas faces.
- Bom. Mas faz tempo que sabes isso.
- Sim, apenas busco, se é que busco alguma coisa, uma forma, uma diferente forma, digamos assim.
- Quer isso dizer que compreendes o campo, a função da figura, esse que era, afinal, o grande tema que procuravas, distinto do outro, será que consegues objectivar, afinal de contas existe mesmo uma separação a fazer, na minha opinião.
- Sim, percebo. A figura, como lhe chamas, separa-se. O “erro” consiste nesta ser tomada específicamente na (sua) função genérica, dentro (fora) do signo, quero dizer, o signo é o signo, afinal, genérico.
- Funda. Talvez aí tenhas uma direcção, confusa no entanto, esse erro de que falas, adivinho que lhe chamarias outra coisa, é apenas e afinal, uma função do signo de que falas e que a tem executado, quero dizer, parece-me que continua a exercer a sua poderosa força.
- É afinal uma grande palavra e funciona, tem funcionado.
- Funciona e é real, cabe-te resolver. Estou curioso, creio que já te ocorreu, ou “passou”, o signo.
- Desde o princípio, sim, sorriso, afinal, como disse, o signo é o signo, e um homem tem que fazer o que tem de fazer, novo sorriso, e o tema das palavras separa-se, assim, nos seus sentidos, genérico, específico, que são devolvidos à sua, própria, significação, à sua, própria, realidade. Toda a informação já não conta, basta neste trabalho.
- Sim. Faz tempo.
- Em suma, a função genérica da figura vem a subsumir-se no signo, quanto à específica, esvazia-se da sua carga, o signo é o signo, repito, creio que cheguei muito longe neste trabalho, mas afinal, uma afinidade é uma afinidade.
- Que significarão todas essas tautologias. Uma ordenação talvez. Uma separação das águas.
- Sem dúvida que é uma separação das águas. É difícil.
- Começo a reconhecer-te, pensas em mecanismos muito complexos, muito simples.
- Penso um sentido de espera.
- Hm, sim, não te deixes distrair, atinge, pensas em liberdade talvez, arrisco num sorriso.
- Sim, nesse sentido em que pensas, sorriso também, afinal as coisas são como são.
- Continuas a tautologizar vejo, se bem entendo essa espera é por aí que não te diriges.
- Sim, penso em liberdade nesse sentido, a dúvida que fica.
- Creio que por aí te enganas, (o (ser ou não ser dessa existência) existir ou não da dúvida não é relevante), isto é, se bem entendo o sentido que lhe dás.
- Sim, claro que entendo o que queres dizer, já o disse.
- Sim, disseste, utilizaste as tautologias, é curioso.
- Afinal de contas o tema existe, a dúvida também, (até como critério dessa existência), mas apenas o (que é do) signo é o signo, não lhe chamarei mais nomes mas afinal sabemos do que falamos.
- Compreendo, ficas mais leve.
- Também temos que nos distrair.
- Executas a minha função agora, sorriso.
- Bom, afinal trata-se de uma colaboração, ou não, outro sorriso.
- Efectivas, pareces não querer ficar.
- Fui muito longe, como disse, o signo está disposto, eu é que não estou, é um trabalho difícil, duplamente difícil.
- Um trabalho de signo, a tal liberdade de que falavas, ou falava, já não sei, sorriso.
- Ouvimos falar destas histórias, noutros contextos, suponho.
- Talvez te tenhas apercebido disso, ou talvez não seja de todo assim.
- É irrelevante.
- Fica-te a tal espera, (a tal liberdade), é trabalho.
- Sim, existe uma certa dispersão, pelo menos.
- Percebo, não concordo no entanto, ficaram lacunas, voltemos atrás, ao específico, ao desenvolvimento, bom, quero dizer, afinal temos um núcleo.
- Dizes temos,é curioso, sorriso.
- Sim, temos separação na afinidade, espera, como lhe chamas, e integração daquilo que é do signo, no signo, “a César o que é de César”.
- É uma separação das águas, de facto, o que na afinidade, na figura, no tema, é do signo, integra-se-lhe, fica então a tal espera, um certo esvaziamento.
- É um curioso conceito esse teu de espera, interessante, lembra-me qualquer coisa que li num ou noutro sítio obscuro, as mais obscuras palavras sobre a acção, alimento e acção, o tal mecanismo complexo, simples, de que te falava.
- Sim, a espera, quanto a mim nunca me consegui descrever a solução desse mecanismo, tenho-o guardado para mais tarde, quem sabe.
- Sim, sim, talvez não possa ser descrita, assim, nesse sentido, existe no entanto uma solução, tu conhece-la, lembro-me de uma situação em que alguém expressava a sua perplexidade pela aparente ausência de método onde era suposta a sua existência.
- Sim, não existe efectivamente um método, nesse sentido, e esse é, de facto, o único e verdadeiro método, ou seja, essa solução talvez não possa de todo ser escrita, descrita sim, em ligação directa, ficam o negro, a sombra, os silêncios escritos, já a vi, li … creio que no mesmo local dessa perplexidade, ou por aí.
- Seria talvez necessário ser um extra terrestre para entender isso, sorriso, suponho, mas adiante.
- Fazes humor negro, enfim, mas sim, adiante, digo, o erro, a figura e o trabalho, sempre estiveram, neste assunto, verdadeiramente, do lado da afinidade.
- Sorriso, o segundo hadith.
- Ironizas mas o caso é sério.
- Voltamos ao mesmo, erro, tema, figura ou afinidade, como lhes queiras chamar, são um percurso natural que, dada a natureza do mesmo, erro, tema, figura ou afinidade, passa por uma certa cegueira na relação ao funcionamento do signo. Tu sabes isso.
- Sim, sei, isso que chamas cegueira é uma ligação directa, como disse, um acto supraracional que radica na mais lúcida das decisões da acção, duma profunda reflexão desta, ou seja, a ser feito, dessa maneira, teria que ser dessa maneira, é difícil, como disse, repito, não é relevante o erro agora, tinha de sair à luz, de existir, do que se trata, agora, é de liberdade, neste sentido como disseste.
- Nem mais, compreendo-te bem embora o fizesse de outro modo.
- Bem sei.
- Baralhando em absoluto e resumindo, as palavras, trata-se dessa tal espera associada à reintegração da parte genérica do tema no signo.
- Sim.
- Qual dos trabalhos consideras prioritário.
- São simultâneos, enfim, talvez a espera… enfim, é uma história antiga, como sabes.
- Sim, sei, creio que deverias focar-te na devolução do signo, a tal integração, até porque trabalhas simultaneamente a espera, se é que a entendo.
- Sim, foi o que disse, a separação dos trabalhos é vaga, apenas se justifica aqui, se é que se justifica de todo.
- Chegas então de novo a um tal especial lugar.
- Pois, continuamos por aqui a deslizar, num esvaziamento à força.
- Um esvaziamento específico do tema, quanto ao signo, já reparaste que não usamos sinais de interrogação, porque será.
- E integração da parte genérica, sim já reparei.
- O tema perde a sua face, a figura.
- Nem mais.
- Não implicará isso um certo…
- Não, o trabalho é esse, quer dizer, no sentido que acima lhe atribuía.
- Hmm... é só fazer.
- Sim, é só fazer, numa certa silenciosa maneira, num sentido muito especial.
- Afim.
- Não só isso, chamar-lhe-ia uma liberdade agente.
- Uma exaltação, ou pelo menos um certo tipo de exaltação, específica.
- Também por aí já que estamos em maré de confundir as palavras.
- Percebo.
- Sem dúvida.
- E o tal esvaziamento.
- Sim.
- Não sei se percebo.
- Afim.
- Sim, agora és tu que ironizas, percebo.
- Como um divergir afim da acção, liberdade, neste sentido agente, cessa de existir contradição entre o signo e o tema pois ambos estão, essencialmente, neste afim.
- Pois, mas enquanto não existir simultaneidade não terás a “afectivação” desse afim, e tomo desde já esse afim num sentido um pouco diferente, mais depurado.
- Falaste bem, o trabalho tende para uma produção, depuração, afim, um agenciamento pelo próprio acto da expressão.
- Especificamente, um agenciamento das operações afim.
- Agenciamento de um composto afim.
- Sim.
- Propões-te então.
- Está feito, fica o digerir.
- Compreendes então, tens a matéria. Se bem me lembro propunhas-te dois.
- Quando me decidi queres dizer?
- Se assim lhe quiseres chamar.
- Propunha-me realmente dois como dizes, compreendo que é apenas um, único, obviamente com duas faces.
- Bom. Mas faz tempo que sabes isso.
- Sim, apenas busco, se é que busco alguma coisa, uma forma, uma diferente forma, digamos assim.
- Quer isso dizer que compreendes o campo, a função da figura, esse que era, afinal, o grande tema que procuravas, distinto do outro, será que consegues objectivar, afinal de contas existe mesmo uma separação a fazer, na minha opinião.
- Sim, percebo. A figura, como lhe chamas, separa-se. O “erro” consiste nesta ser tomada específicamente na (sua) função genérica, dentro (fora) do signo, quero dizer, o signo é o signo, afinal, genérico.
- Funda. Talvez aí tenhas uma direcção, confusa no entanto, esse erro de que falas, adivinho que lhe chamarias outra coisa, é apenas e afinal, uma função do signo de que falas e que a tem executado, quero dizer, parece-me que continua a exercer a sua poderosa força.
- É afinal uma grande palavra e funciona, tem funcionado.
- Funciona e é real, cabe-te resolver. Estou curioso, creio que já te ocorreu, ou “passou”, o signo.
- Desde o princípio, sim, sorriso, afinal, como disse, o signo é o signo, e um homem tem que fazer o que tem de fazer, novo sorriso, e o tema das palavras separa-se, assim, nos seus sentidos, genérico, específico, que são devolvidos à sua, própria, significação, à sua, própria, realidade. Toda a informação já não conta, basta neste trabalho.
- Sim. Faz tempo.
- Em suma, a função genérica da figura vem a subsumir-se no signo, quanto à específica, esvazia-se da sua carga, o signo é o signo, repito, creio que cheguei muito longe neste trabalho, mas afinal, uma afinidade é uma afinidade.
- Que significarão todas essas tautologias. Uma ordenação talvez. Uma separação das águas.
- Sem dúvida que é uma separação das águas. É difícil.
- Começo a reconhecer-te, pensas em mecanismos muito complexos, muito simples.
- Penso um sentido de espera.
- Hm, sim, não te deixes distrair, atinge, pensas em liberdade talvez, arrisco num sorriso.
- Sim, nesse sentido em que pensas, sorriso também, afinal as coisas são como são.
- Continuas a tautologizar vejo, se bem entendo essa espera é por aí que não te diriges.
- Sim, penso em liberdade nesse sentido, a dúvida que fica.
- Creio que por aí te enganas, (o (ser ou não ser dessa existência) existir ou não da dúvida não é relevante), isto é, se bem entendo o sentido que lhe dás.
- Sim, claro que entendo o que queres dizer, já o disse.
- Sim, disseste, utilizaste as tautologias, é curioso.
- Afinal de contas o tema existe, a dúvida também, (até como critério dessa existência), mas apenas o (que é do) signo é o signo, não lhe chamarei mais nomes mas afinal sabemos do que falamos.
- Compreendo, ficas mais leve.
- Também temos que nos distrair.
- Executas a minha função agora, sorriso.
- Bom, afinal trata-se de uma colaboração, ou não, outro sorriso.
- Efectivas, pareces não querer ficar.
- Fui muito longe, como disse, o signo está disposto, eu é que não estou, é um trabalho difícil, duplamente difícil.
- Um trabalho de signo, a tal liberdade de que falavas, ou falava, já não sei, sorriso.
- Ouvimos falar destas histórias, noutros contextos, suponho.
- Talvez te tenhas apercebido disso, ou talvez não seja de todo assim.
- É irrelevante.
- Fica-te a tal espera, (a tal liberdade), é trabalho.
- Sim, existe uma certa dispersão, pelo menos.
- Percebo, não concordo no entanto, ficaram lacunas, voltemos atrás, ao específico, ao desenvolvimento, bom, quero dizer, afinal temos um núcleo.
- Dizes temos,é curioso, sorriso.
- Sim, temos separação na afinidade, espera, como lhe chamas, e integração daquilo que é do signo, no signo, “a César o que é de César”.
- É uma separação das águas, de facto, o que na afinidade, na figura, no tema, é do signo, integra-se-lhe, fica então a tal espera, um certo esvaziamento.
- É um curioso conceito esse teu de espera, interessante, lembra-me qualquer coisa que li num ou noutro sítio obscuro, as mais obscuras palavras sobre a acção, alimento e acção, o tal mecanismo complexo, simples, de que te falava.
- Sim, a espera, quanto a mim nunca me consegui descrever a solução desse mecanismo, tenho-o guardado para mais tarde, quem sabe.
- Sim, sim, talvez não possa ser descrita, assim, nesse sentido, existe no entanto uma solução, tu conhece-la, lembro-me de uma situação em que alguém expressava a sua perplexidade pela aparente ausência de método onde era suposta a sua existência.
- Sim, não existe efectivamente um método, nesse sentido, e esse é, de facto, o único e verdadeiro método, ou seja, essa solução talvez não possa de todo ser escrita, descrita sim, em ligação directa, ficam o negro, a sombra, os silêncios escritos, já a vi, li … creio que no mesmo local dessa perplexidade, ou por aí.
- Seria talvez necessário ser um extra terrestre para entender isso, sorriso, suponho, mas adiante.
- Fazes humor negro, enfim, mas sim, adiante, digo, o erro, a figura e o trabalho, sempre estiveram, neste assunto, verdadeiramente, do lado da afinidade.
- Sorriso, o segundo hadith.
- Ironizas mas o caso é sério.
- Voltamos ao mesmo, erro, tema, figura ou afinidade, como lhes queiras chamar, são um percurso natural que, dada a natureza do mesmo, erro, tema, figura ou afinidade, passa por uma certa cegueira na relação ao funcionamento do signo. Tu sabes isso.
- Sim, sei, isso que chamas cegueira é uma ligação directa, como disse, um acto supraracional que radica na mais lúcida das decisões da acção, duma profunda reflexão desta, ou seja, a ser feito, dessa maneira, teria que ser dessa maneira, é difícil, como disse, repito, não é relevante o erro agora, tinha de sair à luz, de existir, do que se trata, agora, é de liberdade, neste sentido como disseste.
- Nem mais, compreendo-te bem embora o fizesse de outro modo.
- Bem sei.
- Baralhando em absoluto e resumindo, as palavras, trata-se dessa tal espera associada à reintegração da parte genérica do tema no signo.
- Sim.
- Qual dos trabalhos consideras prioritário.
- São simultâneos, enfim, talvez a espera… enfim, é uma história antiga, como sabes.
- Sim, sei, creio que deverias focar-te na devolução do signo, a tal integração, até porque trabalhas simultaneamente a espera, se é que a entendo.
- Sim, foi o que disse, a separação dos trabalhos é vaga, apenas se justifica aqui, se é que se justifica de todo.
- Chegas então de novo a um tal especial lugar.
- Pois, continuamos por aqui a deslizar, num esvaziamento à força.
- Um esvaziamento específico do tema, quanto ao signo, já reparaste que não usamos sinais de interrogação, porque será.
- E integração da parte genérica, sim já reparei.
- O tema perde a sua face, a figura.
- Nem mais.
- Não implicará isso um certo…
- Não, o trabalho é esse, quer dizer, no sentido que acima lhe atribuía.
- Hmm... é só fazer.
- Sim, é só fazer, numa certa silenciosa maneira, num sentido muito especial.
- Afim.
- Não só isso, chamar-lhe-ia uma liberdade agente.
- Uma exaltação, ou pelo menos um certo tipo de exaltação, específica.
- Também por aí já que estamos em maré de confundir as palavras.
- Percebo.
- Sem dúvida.
- E o tal esvaziamento.
- Sim.
- Não sei se percebo.
- Afim.
- Sim, agora és tu que ironizas, percebo.
- Como um divergir afim da acção, liberdade, neste sentido agente, cessa de existir contradição entre o signo e o tema pois ambos estão, essencialmente, neste afim.
- Pois, mas enquanto não existir simultaneidade não terás a “afectivação” desse afim, e tomo desde já esse afim num sentido um pouco diferente, mais depurado.
- Falaste bem, o trabalho tende para uma produção, depuração, afim, um agenciamento pelo próprio acto da expressão.
- Especificamente, um agenciamento das operações afim.
- Agenciamento de um composto afim.
- Sim.
Sucede igualmente essa aparência dourada do perfil que já não serve para nada uma vez que nunca torna estatutária da noite e nem sequer é do bom canibalesco gosto ao fim do linear vómito que enche-lhe em fogo o natural atributo quando chega a hora do ajuntamento.E, pronto a seguir nessa direcção, não há dia em que são todo, convém esclarecer, se não tome da condição da mais-valia, do bem-estar, num certo facial controlo acrescido em temida contenção verbal, autorizada da razão que se diz, num gesto pensado ao fundo do ser comedido da motivação, e, em qualquer que seja o agir assim.
Estar esse instante mesmo tornado em palavra num gatilho intempestivo. Colocado à maneira que chegue e vá pois lhe seja leve o dia à beira-mar passado a ver os peixes ou o raio que os parta. Melancólico azevinho a muita multidão como um tanto arremetido ao controverso em linear da satisfação. Como que um concordante azulejo das outras utilidades, aquilo que satisfaz, faz a mais, a mostra.
Outra direcção debaixo do sol. O rio calmo desta vez. Basta dizer onde o lugar. Pois não é o acordar da tensão que o afirma e voga como afinal inteiro, verdadeiramente. É que por mais que cante o chão não sei das pegadas do sol. Tomai-lhe as mãos e o corpo e morrerei no meu sangue inebriado como dispersa espuma ao sabor da direcção conhecida. Mais ou menos meia dúzia de palavras vivas deve ser. Como uma implantação razoável do dito fado das almas que não é mais que o acto oracular, e não se diz.
Outra direcção debaixo do sol. O rio calmo desta vez. Basta dizer onde o lugar. Pois não é o acordar da tensão que o afirma e voga como afinal inteiro, verdadeiramente. É que por mais que cante o chão não sei das pegadas do sol. Tomai-lhe as mãos e o corpo e morrerei no meu sangue inebriado como dispersa espuma ao sabor da direcção conhecida. Mais ou menos meia dúzia de palavras vivas deve ser. Como uma implantação razoável do dito fado das almas que não é mais que o acto oracular, e não se diz.
21 de maio de 2012
20 de maio de 2012
W.Benjamin - Fragmento Teológico-Político
Unicamente o próprio Messias cumpre o devir histórico no sentido em que apenas ele resgata, completa, cria a relação deste devir com o próprio elemento messiânico. Eis porque nenhuma realidade histórica pode, por si mesma, querer relacionar-se no plano messiânico. Eis porque o reino de deus não é o telos da dunamis histórica pois não pode ser posto como fim. Historicamente não é um fim é um termo. Eis porque a ordem do profano não pode ser tecida sobre a ideia do reino de deus e eis porque a teocracia não tem um sentido político mas unicamente um sentido religioso. O maior mérito do Espírito da Utopia de E. Bloch é o ter recusado vigorosamente qualquer significação política à teocracia.
A ordem do profano deve edificar-se na ideia de felicidade. A relação desta ordem com o elemento messiânico é um dos ensinamentos essenciais da filosofia da história. Esta relação condiciona, com efeito, uma concepção mística da história cujo problema se pode expor numa imagem. Se representarmos por uma seta o fim na direcção do qual se exerce a direcção da dunamis do profano e noutra seta a direcção da intensidade messiânica, com toda a certeza que a demanda pela felicidade da humanidade livre tende a descartar-se desta orientação messiânica, mas da mesma maneira que uma força pode, na sua trajectória, favorecer a acção de uma outra força em trajectória oposta, também a ordem profana do profano pode favorecer o advento do reino messiânico. Se o profano não é, portanto, uma categoria deste reino, é, no entanto, uma categoria, e das mais pertinentes, por força da sua imperceptível movimentação nesse sentido. Pois na felicidade tudo o que é terrestre aspira à sua anulação mas é unicamente na felicidade que esta anulação lhe é prometida. E isto mesmo que seja verdade que a intensidade messiânica imediata do coração em cada indivíduo no seu ser interior se adquira pela infelicidade no sentido do sofrimento. Ao movimento espiritual da restituio in integrum que conduz à imortalidade corresponde uma restituio secular que conduz à eternidade de uma anulação, e o ritmo desta realidade secular eternamente evanescente, evanescente na sua totalidade, evanescente na sua totalidade espacial, mas também temporal, o ritmo desta natureza messiânica é a felicidade. Pois messiânica é a natureza na sua total e eterna evanescência.
Procurar exaustivamente esta evanescência, mesmo a estes níveis do homem que são natureza, tal é a tarefa da política mundial cujo método se deve chamar nihilismo.
W. Benjamin – Fragmento Teológico-Político - (tradução livre da tradução francesa)
Unicamente o próprio Messias cumpre o devir histórico no sentido em que apenas ele resgata, completa, cria a relação deste devir com o próprio elemento messiânico. Eis porque nenhuma realidade histórica pode, por si mesma, querer relacionar-se no plano messiânico. Eis porque o reino de deus não é o telos da dunamis histórica pois não pode ser posto como fim. Historicamente não é um fim é um termo. Eis porque a ordem do profano não pode ser tecida sobre a ideia do reino de deus e eis porque a teocracia não tem um sentido político mas unicamente um sentido religioso. O maior mérito do Espírito da Utopia de E. Bloch é o ter recusado vigorosamente qualquer significação política à teocracia.
A ordem do profano deve edificar-se na ideia de felicidade. A relação desta ordem com o elemento messiânico é um dos ensinamentos essenciais da filosofia da história. Esta relação condiciona, com efeito, uma concepção mística da história cujo problema se pode expor numa imagem. Se representarmos por uma seta o fim na direcção do qual se exerce a direcção da dunamis do profano e noutra seta a direcção da intensidade messiânica, com toda a certeza que a demanda pela felicidade da humanidade livre tende a descartar-se desta orientação messiânica, mas da mesma maneira que uma força pode, na sua trajectória, favorecer a acção de uma outra força em trajectória oposta, também a ordem profana do profano pode favorecer o advento do reino messiânico. Se o profano não é, portanto, uma categoria deste reino, é, no entanto, uma categoria, e das mais pertinentes, por força da sua imperceptível movimentação nesse sentido. Pois na felicidade tudo o que é terrestre aspira à sua anulação mas é unicamente na felicidade que esta anulação lhe é prometida. E isto mesmo que seja verdade que a intensidade messiânica imediata do coração em cada indivíduo no seu ser interior se adquira pela infelicidade no sentido do sofrimento. Ao movimento espiritual da restituio in integrum que conduz à imortalidade corresponde uma restituio secular que conduz à eternidade de uma anulação, e o ritmo desta realidade secular eternamente evanescente, evanescente na sua totalidade, evanescente na sua totalidade espacial, mas também temporal, o ritmo desta natureza messiânica é a felicidade. Pois messiânica é a natureza na sua total e eterna evanescência.
Procurar exaustivamente esta evanescência, mesmo a estes níveis do homem que são natureza, tal é a tarefa da política mundial cujo método se deve chamar nihilismo.
W. Benjamin – Fragmento Teológico-Político - (tradução livre da tradução francesa)
Há mantimentos que cheguem. Queira-se assim.
Basta o frugal pronome numa adverbial sopa da variação do sabor.
Os arrebatados lábios vão do reflexo ao outro em labilidade.
Até que a morte os separe. E chegue a música do prazer.
Dos socalcos montanhosos
Desce a multicolorida flor
Num desassossegado delírio
Em tentação estendida
Do borbulhar soberbo
Numa manta de retalhos perfeitos.
O tempo erigido oliveira diversa colagem pois se vê.
O que tem o verbo junto ao malmequer reflexo do canto assombrado.
Basta o frugal pronome numa adverbial sopa da variação do sabor.
Os arrebatados lábios vão do reflexo ao outro em labilidade.
Até que a morte os separe. E chegue a música do prazer.
Dos socalcos montanhosos
Desce a multicolorida flor
Num desassossegado delírio
Em tentação estendida
Do borbulhar soberbo
Numa manta de retalhos perfeitos.
O tempo erigido oliveira diversa colagem pois se vê.
O que tem o verbo junto ao malmequer reflexo do canto assombrado.
19 de maio de 2012
18 de maio de 2012
Único. A peremptória afirmação crítica é como a cereja, come-se, ou não, consoante o apetite do momento, ou a sua nutritiva utilidade. Nesse único, ao habitar a atenção dirigida, dispersa em direcção aparente, como se dizia da peremptória afirmação crítica, revela-se o circular circuito, da momentânea utilidade singular, logo única, e portanto nesse sentido único, ou único circular circuito.
16 de maio de 2012
Bem, sim, vai, ainda não é certo, mas creio que sim, que assim será. Em segundo lugar, e mesmo nesse caso, claro, sem dúvida que esse é, e o outro, que à partida seria, já depois de passada a distância, era. Pois no que diz respeito ao interesse que tem, ou teria, respectivamente, nunca seria, ou será, nessa hipotética forma, pois isso não é, exactamente, nenhuma brincadeira. É, não ficaria portanto nessa norma e não admiraria que, eventualmente, isso viesse a acontecer. Digo-te então pá, à laia de conclusão, que por aí vamos, por entre a multidão, numa atitude assim, como que barroca, quando ao refulgir das ondas bate o sol a verde encantamento que passara-se ao tímbalar sobressalto, caído ao renascer dum bafo quente, exalado a fruto na lenta movimentação corpuscular crepitante do brilho da maresia tórrida, porém. Como fora forma, porém sem ser.
Os casacos parecem demasiado postos, talvez seja por falta de tecido. É que a linguagem dos homens soa tão distante.
Bom. Era o fim dia.
Outra forma de ver.
Não sei se valo sentido mas talvez outras sejam razões as que sentem-se ao fazer claro e metódico o escasso enchimento na vida ao tempo em que espreita lá do fundo o olhar de baixo.
Bom. Era o fim dia.
Outra forma de ver.
Não sei se valo sentido mas talvez outras sejam razões as que sentem-se ao fazer claro e metódico o escasso enchimento na vida ao tempo em que espreita lá do fundo o olhar de baixo.
15 de maio de 2012
Na próxima estação oxalá não seja embora se saiba um desejar a mais que a sombra repleta do desenvolto recurso passado entre a rotineira e contrafeita risada da tensão metálica da salvação quase ao virar daquela esquina em dádiva sacrificial faria de uma certa conveniência solar o fácil demais devido à sua natureza intrínseca que digo eu cultiva e por vezes retribui.
E como o precioso cuidado faz célere o contribuir do mal-estar permanecido não se vai a fazer nada por isso pois logo que sinta-se um pouco mais revisitado da frequentação do lazer espreguiçado ao sol por debaixo dos toldos em procissão postos na debandada da ideia geral a ver o mar assediado daquela apaziguada inquietação flutuante acima do movimento assente em barco de cinza verde à espuma carrasca far-se-á parafrasear o lugar que deixa um sabor a futilidade fogosa ao falar das condições contratadas a sério nas primícias insanas da luta que continua e ao cair se não terá que ter em atenção do ostentar da visibilidade.
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